Campo Grande (MS), Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026

Tecnologia / Telecomunicações

Orelhões serão extintos em todo o Brasil até o fim de 2028

Últimos 30 mil telefones públicos serão desativados após encerramento das concessões e avanço da telefonia móvel

20/01/2026

11:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Os telefones de uso público, popularmente conhecidos como orelhões, serão definitivamente extintos em todo o Brasil até 31 de dezembro de 2028. A medida marca o fim de um serviço que chegou a contar com mais de 1,5 milhão de terminais espalhados pelo país e que, atualmente, soma cerca de 30 mil unidades ainda em operação.

Lançados em 1972, os orelhões se tornaram um símbolo urbano brasileiro. O design icônico é assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil. Durante décadas, a rede foi mantida por concessionárias de telefonia fixa como contrapartida obrigatória dos contratos de concessão.

Fim das concessões em 2025

Os contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), firmados em 1998, chegaram ao fim em dezembro de 2025. A adaptação desses contratos para o regime de autorizações de serviço, sob regras do regime privado, prevê a retirada gradual dos telefones públicos dentro da política de universalização do acesso às telecomunicações.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações, o encerramento das concessões abriu espaço para uma revisão do modelo regulatório, com foco em estimular investimentos em banda larga e infraestrutura digital.

“Tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga”, informou a Anatel.

Onde os orelhões ainda vão permanecer

Na prática, cerca de 9 mil telefones públicos permanecerão ativos temporariamente em localidades onde não há cobertura mínima de telefonia móvel 4G. A maior concentração desses terminais está no Estado de São Paulo, e a localização pode ser consultada no site da Anatel.

“As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta de serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz, por quaisquer tecnologias, em localidades onde forem as únicas prestadoras, até 31 de dezembro de 2028”, esclareceu a agência reguladora.

Operadoras e números atuais

  • Oi: 6.707 orelhões ativos (base mais adaptada ao novo regime)

  • Vivo, Algar e Claro: desligamento das redes ao longo de 2026, restando cerca de 2 mil unidades

  • Sercomtel: cerca de 500 TUPs em Londrina e Tamarana, que só poderão ser retirados após adaptações contratuais

A situação da Oi envolve ainda o impacto de sua crise financeira, iniciada em 2016, com processo de falência em andamento, o que adicionou complexidade à transição do modelo de concessão.

Investimentos que substituem os orelhões

Em contrapartida à retirada dos telefones públicos, as operadoras assumiram compromissos de investimentos estruturais, incluindo:

  • Implantação de fibra óptica em localidades sem infraestrutura

  • Instalação de antenas de telefonia celular (mínimo 4G)

  • Expansão da rede móvel em municípios

  • Implantação de cabos submarinos e fluviais

  • Conectividade em escolas públicas

  • Construção de data centers

Desligamento sob demanda

Ainda existem orelhões cuja manutenção não é obrigatória. Nesses casos, o desligamento pode ser solicitado diretamente às operadoras. Se não houver atendimento, o pedido pode ser feito à Anatel pelo telefone 1331 ou pelo portal oficial da agência.

Em síntese: após mais de cinco décadas de serviço, os orelhões caminham para a extinção definitiva até 2028, dando lugar a um modelo de telecomunicações centrado em telefonia móvel, banda larga e infraestrutura digital, alinhado à nova realidade tecnológica do país.


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