Campo Grande (MS), Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026

Política / Economia

Quem investiu acima de R$ 250 mil no Banco Master pode não recuperar todo o dinheiro

FGC inicia pagamentos do limite garantido, mas valores excedentes entram na massa de credores e dependem da liquidação do banco

19/01/2026

16:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Os ressarcimentos do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) aos investidores do Banco Master começaram no último sábado (17), cobrindo valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. No entanto, quem mantinha aplicações acima desse limite enfrenta um cenário de incerteza e pode recuperar apenas parte do dinheiro, a depender do resultado final da liquidação da instituição financeira.

A devolução do valor garantido ocorre 60 dias após a decretação da liquidação, determinada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025. Já o montante que excede R$ 250 mil não conta com a proteção do FGC e passa a integrar a massa de credores do banco.

O que acontece com quem tem mais de R$ 250 mil

Os investidores com valores acima do teto do FGC se enquadram como credores quirografários, ou seja, sem garantia real de recebimento. Eles só poderão ser ressarcidos se, ao final do processo de liquidação, sobrar dinheiro após o pagamento de dívidas prioritárias, como:

  • créditos trabalhistas;

  • tributos;

  • obrigações com garantias reais.

Segundo o advogado Jorge Calazans, especialista na defesa de investidores vítimas de fraudes, a recuperação do excedente é incerta, parcial e de longo prazo. “Tudo depende do tamanho real do rombo patrimonial, da qualidade dos ativos remanescentes e do volume de disputas judiciais”, explica.

Maior operação da história do FGC

Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do Fundo Garantidor de Créditos, Daniel Lima, informou que a operação envolve R$ 40,6 bilhões, beneficiando cerca de 800 mil investidores, o que a torna a maior da história do fundo.

Até o momento:

  • 569 mil pedidos já foram registrados;

  • cerca de 377 mil credores concluíram a solicitação e avançaram para a etapa de pagamento, iniciada nesta segunda-feira (19).

Suspeitas de fraude agravam cenário

O caso do Banco Master é considerado ainda mais delicado devido às suspeitas de fraude e gestão temerária. A prisão do controlador do banco — posteriormente solto — e as investigações sobre gestão fraudulenta indicam possível destruição adicional de valor.

Para o professor Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, sinais de fragilidade já eram visíveis:

  • captação com CDBs pagando até 140% do CDI;

  • crescimento acelerado de depósitos cobertos pelo FGC;

  • veto do Banco Central à compra do banco pelo BRB (Banco de Brasília).

Segundo o especialista, esses fatores sugerem ativos de baixa qualidade e problemas graves de governança corporativa.

Como receber o valor garantido pelo FGC

Para pessoas físicas:

  1. Baixar o aplicativo do FGC (Apple Store ou Play Store);

  2. Fazer cadastro com CPF, nome completo e data de nascimento;

  3. Validar o acesso por e-mail;

  4. Cadastrar a conta bancária para recebimento;

  5. Solicitar o pagamento no app;

  6. Realizar biometria facial e assinatura digital;

  7. O valor é depositado em até dois dias úteis.

Para pessoas jurídicas, o procedimento deve ser feito pelo site do FGC.

E o valor excedente?

Para tentar recuperar valores acima do limite:

  • guarde extratos, contratos e comprovantes;

  • acompanhe o processo de liquidação extrajudicial;

  • em casos complexos, pode ser necessária a responsabilização civil e penal dos administradores, ampliando as chances de ressarcimento além da massa do banco.

O que é coberto pelo FGC

O limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ inclui:

  • conta corrente e depósitos à vista;

  • poupança;

  • CDB e RDB;

  • LCI, LCA, LC, LH e LCD;

  • operações compromissadas com títulos elegíveis.

Resumo

  • Até R$ 250 mil: pagamento garantido e já em curso;

  • Acima de R$ 250 mil: recuperação incerta, parcial e demorada;

  • Resultado final depende da qualidade dos ativos, do rombo financeiro e das decisões judiciais.

O caso do Banco Master reforça o alerta sobre concentração excessiva de investimentos e a importância de compreender os limites de proteção do FGC antes de aplicar grandes valores.


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