Política / Justiça
Investigações sobre o Banco Master apuram possível rede de pagamentos ilegais ligada a ex-executivo
Apuração da Polícia Federal analisa movimentações financeiras, contratos e vínculos políticos envolvendo o ex-CEO Augusto Lima
14/03/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
As investigações relacionadas ao Banco Master avançam na análise de possíveis conexões entre o ex-executivo Augusto Lima, conhecido como “Guga Lima”, e agentes políticos. As apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF) buscam esclarecer suspeitas de repasses financeiros irregulares e a existência de estruturas empresariais utilizadas para movimentação de recursos.
Relatos obtidos durante a investigação indicam que o ex-dirigente do banco teria operado um sistema de transferências financeiras destinadas a agentes políticos, envolvendo supostos pagamentos realizados diretamente ou por meio de empresas ligadas a terceiros. Parte dessas operações teria ocorrido em São Paulo, inclusive com entregas de valores em espécie, segundo informações levantadas nas apurações.
Investigadores também analisam possíveis rotas de movimentação de recursos. Uma das linhas de apuração aponta para transferências realizadas por meio de empresas vinculadas a pessoas próximas a integrantes do poder público.
Dados obtidos a partir da quebra de sigilo bancário do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, indicam movimentações relevantes registradas em 2023. Em 19 de junho daquele ano, Vorcaro recebeu aproximadamente R$ 3 milhões do empresário Miguel Luiz Rosário Lorenzo. Posteriormente, em 14 de julho de 2023, uma empresa ligada ao mesmo empresário, MCR Patrimonial Ltda., realizou outra transferência, desta vez no valor de R$ 30,6 milhões.
Segundo relatos citados nas investigações, essas operações teriam sido atribuídas por Vorcaro a negócios relacionados a Augusto Lima, hipótese que ainda é objeto de análise pelos investigadores.
Relatórios produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também apontaram movimentações envolvendo o Banco Master e empresas ligadas a figuras políticas. Entre os registros analisados está uma transferência de R$ 3,6 milhões destinada a uma empresa associada ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), originada do Banco Master e da instituição Reag.
Em nota pública, ACM Neto afirmou que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados ao banco, negando qualquer irregularidade nas operações.
Augusto Lima foi preso durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master. O empresário permaneceu detido por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025, sendo posteriormente liberado por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Mesmo após a soltura, ele segue submetido a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, enquanto as investigações continuam.
Além de sua atuação no Banco Master, Lima também é controlador do Banco Pleno, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. O empresário é casado com Flávia Péres, ex-ministra durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro ponto investigado envolve a participação de Lima em contratos ligados ao setor público. Durante o governo do então governador da Bahia Rui Costa, atual ministro da Casa Civil do governo Lula, o empresário venceu uma licitação para operar o programa CredCesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos com desconto em folha.
Esse contrato impulsionou a expansão do Banco Master na Bahia e ampliou a presença do grupo no mercado de crédito consignado.
As atividades de Lima nesse segmento também foram alvo de questionamentos na CPMI do INSS, que investiga irregularidades relacionadas a empréstimos consignados. O empresário chegou a ser convocado para prestar depoimento, mas foi dispensado de comparecer por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As apurações conduzidas pela Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público, continuam em andamento e buscam esclarecer se houve irregularidades financeiras, repasses ilegais ou uso indevido de estruturas empresariais para financiamento político.
Até o momento, as investigações seguem na fase de coleta e análise de provas, e os envolvidos citados nas apurações negam irregularidades, afirmando que todas as operações realizadas possuem justificativas contratuais ou comerciais.
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