Campo Grande (MS), Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026

Saúde / Comportamento

Estudo revela que isolamento e solidão estão entre os principais sinais da depressão na adolescência

Pesquisa com 884 jovens aponta desalinhamento entre critérios diagnósticos e a experiência real do sofrimento psíquico juvenil

20/01/2026

09:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento mostra que a depressão na adolescência vai muito além da tristeza descrita nos manuais diagnósticos tradicionais. A análise identificou que isolamento social, solidão e sentimentos como raiva e frustração aparecem de forma recorrente nos relatos de jovens, embora não estejam explicitamente contemplados nos critérios formais de diagnóstico.

A pesquisa, que consistiu em uma revisão sistemática e metassíntese, analisou dados de 884 adolescentes e jovens, com idades entre 10 e 24 anos, participantes de 39 estudos internacionais realizados em 16 países. O levantamento reuniu relatos em primeira pessoa e revelou um quadro mais complexo e multifacetado da depressão juvenil.

Além da tristeza

Segundo os pesquisadores, a tristeza aparece em 92,3% dos estudos analisados, confirmando seu papel central no diagnóstico clínico. No entanto:

  • Isolamento social esteve presente em 78,9% dos trabalhos;

  • Solidão foi identificada em 69,2%;

  • Emoções como estresse, frustração, raiva, além de baixa autoestima, fadiga persistente e desesperança, também surgiram com frequência elevada.

Esses dados indicam que o sofrimento psíquico na adolescência não se limita a um único sintoma, mas envolve dimensões emocionais, sociais e relacionais profundas.

Relatos dos especialistas

Para o psiquiatra Christian Kieling, do Hospital Moinhos de Vento e um dos autores do estudo, muitos adolescentes descrevem uma sensação intensa de deslocamento e desconexão social.

“Muitos adolescentes com depressão relatam sentir-se separados do mundo, como se houvesse uma barreira entre eles e as outras pessoas. Quando o cuidado se concentra apenas na tristeza, essa ‘parede’ continua existindo”, explica.

Já a psicóloga Anna Carolina Viduani, que liderou o estudo, destaca que os sistemas tradicionais de classificação capturam apenas parte da experiência vivida:

“A classificação tradicional dos transtornos mentais alcança só uma fração do que os adolescentes realmente vivenciam. É fundamental ouvir os jovens e incorporar essas características relatadas por eles”, afirma.

Três grandes eixos da experiência depressiva

A análise dos relatos permitiu aos pesquisadores identificar três grandes temas centrais que ajudam a compreender como os adolescentes vivenciam a depressão:

  1. Dificuldade de nomear o sofrimento, com uso frequente de metáforas e sensação de estranhamento ou desconexão;

  2. Influência de fatores culturais e contextuais, como conflitos familiares, bullying, pressão escolar, estereótipos de gênero e expectativas sociais;

  3. Barreiras no acesso ao cuidado, incluindo estigma, falta de apoio familiar e desconfiança em relação aos serviços de saúde mental.

Desalinhamento entre diagnóstico e vivência

O estudo aponta um descompasso entre os critérios do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e da CID (Classificação Internacional de Doenças) e a forma como os jovens realmente experienciam a depressão.

Para os autores, reconhecer sentimentos como isolamento e solidão como elementos estruturais do transtorno é essencial para qualificar o cuidado em saúde mental, tornando-o mais sensível ao contexto social, cultural e relacional da adolescência.

Impacto para políticas e práticas de cuidado

Ao ampliar a escuta e considerar as vivências relatadas pelos próprios jovens, o estudo reforça a necessidade de abordagens mais humanizadas e contextualizadas no atendimento em saúde mental. A incorporação desses achados pode contribuir para intervenções mais eficazes, alinhadas aos desafios contemporâneos enfrentados pela população adolescente.

📌 Em síntese: a depressão na adolescência envolve um conjunto amplo de emoções e experiências sociais, e compreender essa complexidade é fundamental para avançar no diagnóstico, no tratamento e na prevenção do sofrimento psíquico juvenil.


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