Segurança / Consumo
Golpes de início de ano se multiplicam e miram impostos, boletos e pagamentos via Pix em todo o país
Fraudes com IPTU, IPVA, material escolar e cobranças falsas se intensificam em janeiro e fevereiro; atenção aos canais oficiais é fundamental para evitar prejuízos
19/01/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O início do ano costuma pressionar o orçamento das famílias com impostos, compras escolares e reorganização das finanças após as festas. Esse cenário previsível também impulsiona a atuação de golpistas, que aproveitam o aumento no volume de pagamentos e a pressa dos contribuintes para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas.
Em 2026, os golpes mais recorrentes continuam envolvendo boletos falsos, sites que imitam páginas oficiais, QR Codes adulterados e ofertas enganosas. A diferença está no refinamento das ações: páginas visualmente idênticas às originais, mensagens personalizadas e abordagens que exploram prazos, descontos e obrigações legais, criando sensação de urgência.
O golpe do IPTU reaparece todos os anos no período de pagamento do imposto e segue entre os mais eficazes. Criminosos enviam boletos por e-mail, SMS, WhatsApp e até por correspondência física, utilizando logotipos, cores e linguagem semelhantes às das prefeituras. As mensagens costumam mencionar reajustes, regularizações ou um suposto “último dia para pagar com desconto”.
Há também versões digitais. Links patrocinados em buscadores levam a sites falsos que simulam o portal da prefeitura e oferecem emissão da segunda via do imposto. Ao gerar o boleto ou escanear um QR Code, o valor é direcionado a contas controladas pelos golpistas. Em alguns casos, essas páginas ainda coletam dados do imóvel e do proprietário, usados em outras fraudes.
A principal forma de proteção é verificar se o endereço do site é oficial. Órgãos públicos utilizam domínios institucionais e não costumam enviar cobranças por aplicativos de mensagem. Na dúvida, o recomendado é digitar manualmente o site do município ou buscar atendimento nos canais oficiais.
O IPVA, outro imposto típico do começo do ano, também é alvo frequente. Circulam sites falsos que prometem descontos especiais ou facilidades inexistentes, imitando portais da Secretaria da Fazenda ou do Detran. Essas páginas solicitam dados do veículo e do proprietário e geram boletos ou QR Codes para pagamento via Pix.
Um sinal claro de alerta é a promessa de descontos acima do padrão divulgado pelos governos estaduais. O pagamento, nesses casos, não vai para o Estado, mas para contas privadas. Há ainda campanhas por SMS e e-mail oferecendo falsa “segunda via do IPVA”.
Janeiro também marca o período de compras de material escolar, o que favorece o surgimento de lojas virtuais falsas e anúncios com preços muito abaixo do mercado. Em geral, esses sites aceitam apenas Pix ou transferência bancária, não informam CNPJ, endereço físico ou política de troca.
Há ainda golpes em grupos de pais e redes sociais, com ofertas de compras coletivas ou acesso a supostos fornecedores diretos. Após o pagamento antecipado, o vendedor desaparece ou entrega produtos diferentes do anunciado.
Boletos adulterados e QR Codes falsos continuam entre as fraudes mais comuns. O criminoso altera os dados do pagamento para redirecionar o valor à própria conta. Como o Pix é instantâneo, o dinheiro costuma ser rapidamente pulverizado em outras contas, dificultando a recuperação.
Também são registrados casos de comprovantes falsos, usados para induzir a liberação de produtos ou serviços antes da confirmação do crédito. Conferir o nome do favorecido e evitar copiar códigos recebidos por mensagem são medidas essenciais.
Aplicativos de mensagem seguem como um dos principais canais usados por criminosos. Links para cobranças falsas, anexos disfarçados de boletos e avisos de supostas pendências financeiras são frequentes. Ao clicar, a vítima pode ter dados roubados ou o celular comprometido.
Outro golpe recorrente é a clonagem de contas, em que o criminoso se passa por alguém conhecido e pede dinheiro alegando emergência. Autenticação em duas etapas e a confirmação de pedidos por outro meio, como ligação telefônica, ajudam a evitar prejuízos.
Mesmo após as festas, o planejamento de viagens e lazer no início do ano abre espaço para anúncios falsos de hospedagens, pacotes turísticos e ingressos. Perfis falsos e sites recém-criados simulam empresas reais, e o golpe só é percebido quando o serviço não é prestado.
Apesar das diferentes abordagens, os golpes costumam apresentar padrões: tom de urgência, pedidos de pagamento imediato, links não solicitados, pequenos erros no endereço do site e preços muito abaixo do mercado. Evitar decisões por impulso e checar informações em canais oficiais faz diferença.
Em caso de pagamento indevido, a orientação é contatar imediatamente o banco, reunir comprovantes e registrar ocorrência. Informar o órgão ou empresa cujo nome foi usado indevidamente também ajuda a alertar outros consumidores.
Com o início do ano concentrando decisões financeiras importantes, atenção aos detalhes, desconfiança saudável e uso exclusivo de canais oficiais seguem sendo as principais ferramentas para começar 2026 sem prejuízos financeiros.
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