Política / Justiça
PF amplia investigação sobre fundos ligados ao Banco Master e analisa transações relacionadas a resort associado à família de Dias Toffoli
Apurações envolvem quebra de sigilos e relatórios do Coaf; eventual investigação contra ministro do STF dependeria de autorização da Corte
09/03/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal (PF) intensificou as investigações sobre possíveis crimes financeiros envolvendo fundos de investimento associados ao Banco Master, que mantiveram ligação indireta com o resort Tayayá, empreendimento localizado em Ribeirão Claro (PR) e que teve participação societária de empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As apurações incluem a análise de quebras de sigilo bancário e financeiro, além da solicitação de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), com o objetivo de identificar movimentações atípicas ou suspeitas.
Embora o ministro Dias Toffoli não seja investigado formalmente pela PF, investigadores avaliam que operações financeiras relacionadas a ele ou a integrantes de sua família podem aparecer entre os dados coletados, uma vez que as diligências abrangem fundos que tiveram relação com empresas ligadas ao resort.
Entre os fundos sob análise está o Arleen Fundo de Investimentos, apontado como parte de uma estrutura utilizada pelo grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de investigações conduzidas na Operação Compliance Zero.
Uma empresa da família de Toffoli, denominada Maridt, vendeu em 2021 sua participação societária no resort Tayayá justamente para o fundo Arleen. O próprio ministro reconheceu posteriormente que era um dos sócios da empresa e que recebeu valores decorrentes da venda das cotas.
A relação entre o empreendimento turístico e a rede de fundos associados a Vorcaro foi revelada inicialmente em reportagens da imprensa nacional.
De acordo com as investigações, o fundo Arleen possui como cotista o fundo Leal, que tem entre seus participantes o advogado e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e apontado pelas autoridades como operador financeiro do empresário.
Zettel foi preso em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, juntamente com Vorcaro.
As investigações indicam ainda que o Arleen foi investidor do fundo RWM Plus, que recebeu aportes de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta estrutura financeira usada em fraudes investigadas pelas autoridades.
Todos esses fundos tiveram como administradora a empresa Reag, que também é investigada na Operação Carbono Oculto, conduzida pela PF, sob suspeita de participação em esquemas de lavagem de dinheiro associados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Apesar das conexões financeiras analisadas, a Polícia Federal não pode investigar diretamente um ministro do STF por suspeitas de crimes comuns sem autorização do próprio Supremo.
Caso surjam indícios que justifiquem uma investigação formal, a corporação deverá encaminhar relatório ao ministro André Mendonça, atual relator dos inquéritos relacionados ao Banco Master no Supremo.
A eventual abertura de investigação dependeria de avaliação do STF, com atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e acompanhamento da Polícia Federal.
O inquérito envolvendo o Banco Master passou inicialmente a tramitar no Supremo Tribunal Federal no final de 2025, após pedido da defesa de Daniel Vorcaro para que o caso fosse analisado pela Corte.
Na ocasião, o processo ficou sob relatoria de Dias Toffoli, mas o ministro decidiu se afastar após questionamentos relacionados à sua participação societária anterior na empresa Maridt, que possuía cotas no resort Tayayá.
O então presidente do STF, Edson Fachin, chegou a receber da Polícia Federal um relatório com informações que levantavam dúvidas sobre possível conflito de interesses. O documento foi autuado como pedido de suspeição, mas acabou arquivado depois que Toffoli deixou voluntariamente a relatoria.
Com isso, os inquéritos passaram a ser conduzidos pelo ministro André Mendonça.
Relatórios divulgados pela imprensa indicam ainda que Dias Toffoli manteve trocas de mensagens com Daniel Vorcaro em novembro de 2025, data que coincide com a prisão do empresário.
As comunicações teriam ocorrido em momentos próximos aos registros encontrados no bloco de notas do ex-banqueiro, que continham referências a estratégias jurídicas relacionadas ao banco.
Até o momento, o conteúdo das mensagens não foi divulgado oficialmente. Procurado por meio da assessoria do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli não comentou o caso até a publicação das informações.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer a eventual existência de irregularidades financeiras ligadas aos fundos associados ao Banco Master.
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