Campo Grande (MS), Quarta-feira, 11 de Março de 2026

Coluna do Simpi

Redução da jornada de trabalho volta ao debate nacional e divide opiniões no Brasil

Discussão envolve impactos na produtividade, competitividade das empresas e qualidade de vida dos trabalhadores

10/03/2026

21:30

SIMPI

A proposta de redução da jornada semanal de trabalho voltou ao centro das discussões econômicas e sociais no Brasil. O tema ganhou espaço no debate público com a apresentação de projetos que defendem a diminuição das horas trabalhadas como forma de ampliar a qualidade de vida e melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Apesar de ser apresentada por alguns setores como uma tendência internacional, especialistas e representantes do setor produtivo afirmam que o cenário global ainda é heterogêneo. Países com alta produtividade per capita, como Bélgica, Espanha, Islândia e Finlândia, têm realizado experiências com jornadas mais curtas ou modelos flexíveis de trabalho.

Por outro lado, grandes economias que competem diretamente com o Brasil no mercado global — como Estados Unidos, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul — mantêm há décadas modelos tradicionais de jornada semanal.

Diante desse contexto, surge um questionamento central: a redução da jornada realmente melhora o equilíbrio entre vida pessoal e profissional sem comprometer a produtividade econômica?

Para parte do setor empresarial, a resposta depende de diversos fatores estruturais da economia. Empresários alertam que uma mudança ampla no modelo atual pode gerar impactos na competitividade das empresas, nos custos operacionais e na manutenção de empregos.

Outro ponto destacado é a complexidade de aplicar jornadas reduzidas em áreas consideradas essenciais, como saúde, segurança pública e serviços essenciais, onde a continuidade das operações exige escalas específicas.

No Brasil, propostas legislativas discutem a possibilidade de redução da jornada semanal para 40 horas ou até 36 horas, o que exigiria mudanças estruturais nas relações de trabalho. Para representantes do setor produtivo, uma alteração desse porte deve ser amplamente debatida entre empregadores, trabalhadores e entidades representativas.

Entre as alternativas analisadas está a adoção de modelos mais flexíveis, como remuneração por hora trabalhada, permitindo maior adaptação às necessidades de cada setor.

Apesar das divergências, existe um consenso entre especialistas: as relações de trabalho estão passando por transformações significativas, impulsionadas por mudanças tecnológicas, culturais e econômicas. Entender os impactos dessas transformações será fundamental para o futuro do mercado de trabalho no país.

Assista:
https://youtu.be/uGVdZAbBA2Q


Escalas de trabalho 6x1 e 5x2: entenda como funcionam os modelos mais comuns

As discussões sobre jornada de trabalho também têm levado muitos trabalhadores a buscar informações sobre os principais modelos de escala utilizados nas empresas.

A escala 6x1 é atualmente uma das mais comuns em diversos setores da economia. Nesse formato, o profissional trabalha seis dias consecutivos e descansa um dia na semana, geralmente com jornada de segunda-feira a sábado e folga no domingo.

Já a escala 5x2 apresenta uma organização diferente. Nesse modelo, o trabalhador exerce suas atividades durante cinco dias na semana, normalmente de segunda a sexta-feira, com dois dias consecutivos de descanso, geralmente sábado e domingo.

Na prática, a principal diferença entre os modelos está no número de dias de descanso semanal. A escala 5x2 proporciona mais tempo livre, mantendo em muitos casos a mesma remuneração mensal.

Para trabalhadores e empresários que desejam compreender melhor a aplicação dessas escalas ou esclarecer dúvidas sobre legislação trabalhista, é possível buscar orientação junto ao SIMPI (Sindicato da Micro e Pequena Indústria), que oferece suporte técnico sobre relações de trabalho e organização de jornadas.

Assista:
https://youtu.be/469gs96vfKg


Economia / Indicadores

PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 e alcança R$ 12,7 trilhões, aponta IBGE

Expansão da agropecuária impulsiona resultado, mas ritmo de crescimento econômico desacelera

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 2,3% em 2025, atingindo R$ 12,7 trilhões, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador reúne o valor total da produção de bens e serviços do país e é utilizado para medir o desempenho da economia em determinado período.

Ao analisar os números, o economista Otto Nogami destacou que, apesar da expansão, o resultado ficou abaixo das projeções de parte do mercado, indicando uma desaceleração no ritmo de crescimento econômico.

Pelo lado da oferta, o setor agropecuário apresentou crescimento expressivo de 11,7%, impulsionado principalmente pela produção de soja e milho durante a safra de 2025.

A indústria avançou 1,4%, com destaque para a indústria extrativa, relacionada à produção de petróleo e minério de ferro. Já o setor de serviços, que representa a maior parcela da economia brasileira, registrou crescimento de 1,8%, apresentando sinais de estabilidade após ciclos de expansão.

No lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, enquanto os gastos do governo aumentaram 2,1%. Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, tiveram crescimento de 2,9%.

Nogami chama atenção para o aumento das despesas públicas em um cenário de endividamento do setor público, o que pode gerar efeitos sobre o funcionamento da economia e sobre a capacidade de investimento do setor privado.

Outro indicador relevante foi a taxa de investimento, que ficou em 16,8% do PIB. Segundo o economista, o nível considerado adequado para sustentar crescimento econômico consistente seria próximo de 20%.

A taxa de poupança nacional foi de 14,4% do PIB, criando uma diferença de 2,4 pontos percentuais entre poupança e investimento, o que indica a necessidade de recursos externos para financiar parte da atividade econômica.

O PIB per capita cresceu 1,9% em 2025. Em comparação internacional, Nogami citou o desempenho da Índia, que registrou crescimento econômico de 7,8% no mesmo período.

Assista:
https://youtu.be/LO86M9YmKzE


Economia / Gestão

Planejamento financeiro e controle do fluxo de caixa são essenciais para a saúde das empresas

Ferramentas simples podem ajudar pequenos negócios a prever dificuldades e organizar recursos

O planejamento financeiro é uma ferramenta fundamental para a organização das empresas, permitindo acompanhar receitas, despesas e necessidades de capital ao longo do tempo.

Um dos instrumentos mais importantes nesse processo é o fluxo de caixa, que registra todas as entradas e saídas de dinheiro, possibilitando ao gestor compreender a situação financeira atual do negócio e planejar cenários futuros.

O auditor e perito contador Vitor Stankevicius destaca que grandes empresas costumam utilizar sistemas integrados de gestão empresarial, capazes de monitorar vendas, compras e resultados em tempo real.

No caso das micro e pequenas empresas, entretanto, essa estrutura nem sempre está disponível. Muitos empreendedores recorrem a planilhas eletrônicas, como o Microsoft Excel, para organizar dados financeiros e acompanhar a movimentação de recursos.

Segundo o especialista, o controle do fluxo de caixa permite identificar antecipadamente períodos em que as despesas poderão superar as receitas.

Diante dessa previsão, o empresário pode avaliar alternativas para recompor o caixa, como aporte de recursos pelos sócios, empréstimos internos ou aumento de capital na empresa.

Outra possibilidade é a busca por crédito junto a instituições financeiras, sempre considerando o impacto dos juros no planejamento financeiro.

O acompanhamento contínuo do fluxo de caixa permite antecipar dificuldades, melhorar a gestão financeira e ampliar a capacidade de tomada de decisões estratégicas.

Assista:
https://youtu.be/YJnO5WSV-uw


Economia / Internacional

Tensões no Oriente Médio aumentam risco para o mercado global de petróleo

Conflitos e disputas comerciais podem alterar rotas de comércio e influenciar preços internacionais

O cenário internacional tem sido marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e mudanças nas regras do comércio global, fatores que podem gerar impactos diretos na economia mundial.

Durante entrevista sobre o tema, o professor Rabih Nasser, docente de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP), analisou os possíveis efeitos dessas transformações.

Segundo o especialista, o mundo atravessa um período de maior instabilidade nas relações internacionais, com redução da observância de normas que tradicionalmente organizavam o comércio entre países.

Um ponto sensível envolve o mercado global de energia, especialmente o transporte de petróleo. O professor destaca a importância estratégica do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo.

Qualquer interrupção nesse corredor logístico poderia gerar elevação nos preços da commodity e impactos econômicos em diversas regiões do planeta.

Além disso, conflitos internacionais podem provocar mudanças nas cadeias globais de produção, obrigando empresas e governos a buscar novas rotas logísticas e novos fornecedores.

Outro tema abordado foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal a aplicação de determinadas tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano com base em uma lei de 1974.

As tarifas haviam sido adotadas durante o governo do presidente Donald Trump, iniciado em janeiro de 2025, incluindo uma sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros aplicada em julho de 2025.

Com a decisão judicial, as tarifas foram revogadas, o que abre caminho para possíveis reembolsos às empresas importadoras. Cerca de mil empresas já ingressaram com ações judiciais nos Estados Unidos solicitando a devolução dos valores pagos.

Após a decisão, uma nova tarifa de 10% sobre importações foi aplicada com base em outra justificativa legal relacionada à balança de pagamentos, com limite de aplicação de até 150 dias.

Para Nasser, apesar das incertezas, a revogação das tarifas mais elevadas pode favorecer a retomada de negócios entre exportadores brasileiros e empresas norte-americanas.

No entanto, o especialista ressalta que o ambiente internacional continuará sujeito a instabilidades políticas, decisões comerciais e disputas econômicas, especialmente diante da proximidade das eleições nos Estados Unidos e de investigações comerciais previstas na legislação norte-americana.

Assista:
https://youtu.be/3ZdJDKZZ1NA.


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