Política / Nacional
Michelle não foi avisada sobre carta de Bolsonaro que lançou Flávio ao Planalto
Segundo integrantes do PL, ex-primeira-dama estava em um grupo de oração e conheceu o conteúdo somente após a transmissão nas redes sociais.
20/07/2026
15:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não teria sido consultada nem informada previamente sobre a carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para anunciar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu nome na disputa pela Presidência da República.
De acordo com integrantes do partido, Michelle estava participando de um grupo de oração durante a elaboração e a divulgação do documento. Ela teria tomado conhecimento do conteúdo somente depois que o manuscrito foi lido por Flávio durante uma transmissão ao vivo e publicado nas redes sociais.
A carta foi apresentada em 11 de julho. No texto, Jair Bolsonaro defendeu a união dos grupos de direita, indicou o filho como pré-candidato ao Palácio do Planalto e o classificou como seu “porta-voz” na missão de “resgatar o Brasil”.
A divulgação sem consulta prévia aumentou a tensão entre Michelle e Flávio dentro do Partido Liberal. A ex-primeira-dama, que preside o PL Mulher, já havia demonstrado resistência à forma como a candidatura do senador estava sendo conduzida.
Segundo relatos de aliados, Michelle também manifestou preocupação com a exposição integral do manuscrito. A avaliação é de que a publicação poderia provocar novas medidas judiciais contra o ex-presidente, especialmente por envolver uma manifestação diretamente relacionada às eleições de 2026.
A crise acabou deixando a ex-primeira-dama mais isolada entre parlamentares da legenda, principalmente depois que as divergências com Flávio passaram a ser discutidas publicamente.
O episódio ocorreu no momento em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ampliou as restrições impostas a Jair Bolsonaro.
Conforme a decisão mencionada na reportagem, o ex-presidente ficou proibido de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições gerais de 2026.
Moraes também determinou a suspensão das visitas por 30 dias, com exceção de encontros com advogados, médicos e fisioterapeutas. No caso de Flávio Bolsonaro, a restrição seria de 90 dias, impedindo um encontro presencial com o pai antes das eleições de outubro.
Com as limitações judiciais, a carta ganhou peso político dentro do PL por ter sido interpretada como uma manifestação direta de Bolsonaro sobre a sucessão presidencial. Ao mesmo tempo, a ausência de Michelle na articulação expôs novas divisões na família e na direção partidária.
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