Economia / Política Fiscal
Estados governados pela oposição lideraram dependência da União para pagar dívidas em 2025
Governo federal desembolsou R$ 11 bilhões para evitar inadimplência; Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram mais de 70% do total
20/01/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Os estados governados por partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram, em 2025, os mais dependentes da União para honrar dívidas com bancos e organismos internacionais. No período, o governo federal desembolsou cerca de R$ 11 bilhões para pagar parcelas de empréstimos estaduais garantidos pela União, evitando a inadimplência dessas administrações.
Os maiores volumes de socorro financeiro foram destinados a Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás — todos governados por nomes alinhados à oposição e integrantes do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).
Os dados constam no Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Na prática, quando um estado não consegue pagar um financiamento que conta com garantia federal, a União assume o pagamento para preservar a credibilidade do país junto ao sistema financeiro e a organismos multilaterais. Posteriormente, tenta recuperar os valores por meio das contragarantias, o que nem sempre ocorre.
O RRF é um programa voltado a estados em grave crise financeira, permitindo:
suspensão temporária do pagamento de dívidas com a União;
socorro federal em operações de crédito garantidas, evitando calotes;
refinanciamento das dívidas em prazos longos, que podem chegar a 360 meses.
Em contrapartida, os estados precisam cumprir um plano de ajuste fiscal, com:
limites para gastos com pessoal;
restrições a reajustes salariais;
privatizações;
revisão de incentivos fiscais;
reformas administrativas.
Durante a vigência do RRF, a União não executa as contragarantias, o que explica o baixo volume de recuperação imediata dos recursos.
Rio de Janeiro (governador **Cláudio Castro – PL): R$ 4,69 bilhões (42,35% do total)
Minas Gerais (governador **Romeu Zema – Novo): R$ 3,55 bilhões (32,05%)
Rio Grande do Sul (governador **Eduardo Leite – PSD): R$ 1,59 bilhão
Goiás (governador **Ronaldo Caiado – União Brasil): R$ 888,06 milhões

Desde 2016, a União já desembolsou R$ 86,52 bilhões para cobrir dívidas garantidas de estados e municípios, mas recuperou apenas R$ 5,9 bilhões desse montante. Somente em dezembro de 2025, a recuperação foi de R$ 25,02 milhões.
A maior parte das garantias honradas — cerca de R$ 76,97 bilhões — está concentrada em estados que participam do RRF, justamente onde há suspensão da execução das contragarantias.
Outros fatores também limitam a recuperação:
R$ 1,90 bilhão usados para compensar perdas de arrecadação do ICMS;
R$ 368,19 milhões bloqueados por decisões judiciais envolvendo municípios como Taubaté (SP), Caucaia (CE) e São Gonçalo do Amarante (RN).
O relatório mostra que, somente em dezembro de 2025, a União precisou pagar R$ 1,48 bilhão em dívidas garantidas:
Rio de Janeiro: R$ 643,96 milhões
Minas Gerais: R$ 626,19 milhões
Goiás: R$ 72,36 milhões
Rio Grande do Sul: R$ 70,81 milhões
Também houve repasses a outros estados, como Rio Grande do Norte, e a municípios de diversas regiões.
Embora o mecanismo de garantias seja tradicional na política fiscal brasileira, os números de 2025 evidenciam uma contradição política: governadores da oposição criticam a condução econômica do governo federal, mas dependem fortemente da União para manter as contas em dia.
Na prática, o Tesouro Nacional segue atuando como fiador de última instância, evitando que estados em crise fiscal entrem em inadimplência e provoquem impactos negativos sobre o crédito público e a estabilidade financeira do país.
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