Artigo
Incentivar uns aos outros
18/01/2026
09:00
WILSON AQUINO
WILSON AQUINO*
Qual é, afinal, o verdadeiro sentido do segundo grande mandamento deixado por Deus: amar o próximo como a si mesmo? Como se traduz esse amor no dia a dia? Como devemos agir, de forma concreta, para obedecer a esse ensinamento que parece simples nas palavras, mas profundo e exigente na prática?
Para que não restassem dúvidas, o Senhor enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para viver entre nós e nos ensinar pelo exemplo. E o que vemos em Sua trajetória? Diante dos erros, das fraquezas e dos pecados humanos, Ele não apontava o dedo, não condenava, não humilhava. Pelo contrário, aproximava-se, conversava, acolhia e incentivava as pessoas a seguirem um caminho melhor. Cristo enxergava além da queda; via o potencial de redenção, crescimento e mudança em cada ser humano .
Amar o próximo, portanto, vai muito além de gestos pontuais ou de ajuda material. É estender a mão também nas dificuldades morais, emocionais, profissionais e, sobretudo, espirituais. É ajudar o outro a reencontrar forças quando o ânimo se esgota, a descobrir propósito quando o sentido da caminhada parece perdido. Afinal, a jornada da vida — sem exceção — é marcada por obstáculos, dores, dúvidas e recomeços. É nesse sentido que o apóstolo Paulo nos ensina: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
O Plano de Deus pode ser comparado a uma grande corrida, uma longa maratona. Nela, cada pessoa é chamada a seguir em frente, mesmo quando os fardos se tornam pesados demais para carregar sozinho. O objetivo dessa corrida não é chegar primeiro, nem ultrapassar os demais, mas completar o percurso com disciplina, honestidade, ética, moral e humildade. E, acima de tudo, sem ignorar aqueles que caminham ao nosso lado: os que enfraquecem e precisam de uma palavra de ânimo; os que tropeçam e necessitam de uma mão estendida; os que ficam para trás, sedentos, e aguardam apenas um gole de água — algo simples, mas que pode salvar toda uma trajetória. A própria Escritura nos orienta a esse cuidado mútuo quando diz: “Consideremo- -nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hebreus 10:24).
A história registra inúmeros casos em que o incentivo de alguém foi decisivo para mudar um destino. Um dos exemplos mais emblemáticos é o de Helen Keller. Cega e surda desde a infância, Helen vivia isolada do mundo e sem perspectivas de aprendizado. A mudança ocorreu com a chegada de sua professora, Anne Sullivan, que acreditou em seu potencial quando quase todos já haviam desistido. Com incentivo constante, paciência e persistência, Helen Keller aprendeu a se comunicar, tornou-se escritora, palestrante e ativista reconhecida mundialmente. Sua trajetória comprova que, muitas vezes, não é a limitação que define o futuro de uma pessoa, mas a presença de alguém disposto a caminhar ao seu lado, incentivando-a a seguir em frente.
Lamentavelmente, vivemos tempos acelerados demais. As ruas congestionadas, os veículos em alta velocidade e a pressa constante são reflexos claros de uma sociedade que corre sem olhar para os lados. Muitos seguem apressados, alheios aos caídos pelo caminho. Outros, ainda pior, pisoteiam seus semelhantes para obter vantagens, seja por meio da desonestidade, da imoralidade ou da exploração do mais fraco.
Essa falta de incentivo e de empatia não se limita às ruas ou ao ambiente profissional. Ela tem se infiltrado, de forma preocupante, até mesmo dentro dos lares. Falta incentivo mútuo para que sonhos e metas, especialmente aquelas traçadas no início de um novo ano, sejam alcançadas ao longo da caminhada. Não basta cobrar resultados, exigir desempenho ou criticar a lentidão do outro. Amor verdadeiro não se expressa em cobranças frias, mas na capacidade de reconhecer limites, compreender fragilidades e, com paciência e determinação, ajudar o outro a avançar.
Outro exemplo significativo vem justamente do ambiente familiar. Thomas Edison, um dos maiores inventores da história, foi considerado na infância um aluno com dificuldades de aprendizagem. Em vez de aceitar esse rótulo, sua mãe decidiu incentivá-lo, acreditando em sua curiosidade e capacidade intelectual. Esse apoio foi determinante para que Edison persistisse, mesmo diante de inúmeras tentativas frustradas ao longo da vida. O próprio inventor reconheceu, em diferentes ocasiões, que não teria alcançado seus feitos sem o incentivo recebido em casa. O caso reforça a importância do encorajamento familiar como base para o desenvolvimento humano e profissional.
Todo ser humano, por mais forte que pareça, carrega pontos frágeis. Reconhecer isso não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria. É justamente nesses pontos sensíveis que o apoio do próximo se torna essencial. Muitas vezes, uma palavra certa no momento oportuno, um gesto de compreensão ou um simples “estou aqui com você” pode ser o diferencial entre desistir ou continuar. Por isso, a orientação bíblica permanece atual e necessária: “Exortai-vos e edificai- -vos uns aos outros” (1 Tessalonicenses 5:11).
Essas fragilidades que todos carregamos não são um erro do Criador, mas uma concessão sábia do Senhor. Elas existem para nos lembrar de que ninguém se basta sozinho, de que precisamos uns dos outros e de que a busca pela perfeição é um processo coletivo, sustentado pelo amor, pela compaixão e pelo incentivo mútuo.
Incentivar uns aos outros é, portanto, viver o Evangelho de forma prática. É transformar fé em ação, palavras em atitudes e crenças em escolhas diárias. É compreender que ajudar o próximo a levantar-se não nos atrasa na caminhada — ao contrário, nos aproxima ainda mais do propósito divino para nossa vida.
*Jornalista, Professor e Escritor
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