Economia / Relações Internacionais
Nelsinho Trad cria Grupo de Trabalho no Senado para acompanhar acordo Mercosul–União Europeia
CRE aprova iniciativa para monitorar impactos do tratado, com foco no agronegócio, na indústria e nos efeitos para Mato Grosso do Sul
04/02/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (4), a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar a tramitação e, sobretudo, a implantação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A iniciativa foi anunciada pelo presidente da comissão, o senador Nelsinho Trad, e tem como objetivo garantir acompanhamento técnico permanente dos impactos do tratado, especialmente nos setores do agronegócio e da indústria.
Segundo o senador, o GT permitirá atuação mais ágil e especializada na fase prática do acordo. “A prioridade sempre foi assegurar um acompanhamento técnico contínuo. O Grupo de Trabalho possibilita uma atuação rápida e focada, aproveitando a experiência da CRE e direcionando esforços para os pilares do agro e da indústria”, afirmou Nelsinho Trad.
O Grupo de Trabalho terá como foco a implementação do acordo, podendo ouvir especialistas, representantes do setor produtivo, órgãos do governo federal e interlocutores internacionais. Ao final dos trabalhos, será elaborado um relatório com conclusões e sugestões a serem encaminhadas ao Congresso Nacional.
De acordo com o presidente da CRE, os efeitos do acordo não são uniformes. “Há setores com impactos imediatos, outros de médio prazo e alguns de longo prazo. Por isso, precisamos de um canal permanente, aberto à sociedade, para que quem se sentir prejudicado ou tiver dúvidas possa acionar o Grupo de Trabalho”, explicou.
O senador acrescentou que o GT fará interlocução direta com os ministérios responsáveis, conforme o tema analisado. “Se for agronegócio, vamos ao Ministério da Agricultura. Já conversamos com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro Carlos Fávaro. Todos se colocaram à disposição”, destacou.
Além do setor agropecuário, a indústria também terá atenção específica no GT. “O acordo é extenso e complexo. É natural que surjam dúvidas e a necessidade de ajustes. Teremos senadores com afinidade com o setor industrial para acompanhar de perto. A lógica é clara: construir um cenário de ganha-ganha”, pontuou Nelsinho Trad.
O Grupo de Trabalho será composto por quatro membros titulares e quatro suplentes, indicados pelos partidos em até duas sessões da CRE. Os trabalhos devem começar entre março e abril, com vigência inicial até dezembro, podendo ser prorrogados.

O senador informou ainda que articula com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, para dar celeridade à tramitação do acordo no Congresso.
“A ideia é um entendimento entre os líderes para que a matéria vá direto ao plenário, sem passar por outras comissões. Será uma votação objetiva: ou vota sim, ou vota não”, explicou. A expectativa é que a votação ocorra no fim de fevereiro, após o Carnaval.
Atualmente, a União Europeia é o segundo maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 25,2 bilhões em vendas no último ano, o equivalente a 15% do total exportado pelo setor.
Para Mato Grosso do Sul, os reflexos tendem a ser significativos. “No meu estado, três setores têm grande potencial de ganho: soja, carne e celulose”, avaliou o senador. Em 2025, o Estado exportou US$ 1,3 bilhão para a União Europeia e importou US$ 492 milhões, resultando em superávit de US$ 812 milhões na balança comercial com o bloco europeu.

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