Campo Grande (MS), Domingo, 25 de Janeiro de 2026

Artigo

Ser previdente é preciso

25/01/2026

09:15

WILSON AQUINO*

WILSON AQUINO*

Boa parte do povo brasileiro — talvez a maioria — utiliza integralmente os recursos de seus salários mensais para o próprio sustento ou o da família. Os baixos vencimentos, o alto custo de vida, a pesada carga tributária e a ausência de educação financeira fazem com que milhões de pessoas vivam permanentemente no chamado “fio da navalha”, sem qualquer reserva para enfrentar imprevistos.

Essa realidade torna-se ainda mais preocupante diante das constantes incertezas econômicas do país. A inflação que insiste em corroer o poder de compra, o encarecimento dos alimentos, dos medicamentos e dos serviços essenciais, além da instabilidade no mercado de trabalho, impõem às famílias um cenário de permanente insegurança.

Somado a isso, existe um fator cultural profundamente enraizado. Muitos aprendem desde cedo a gastar tudo o que ganham, sem planejamento, sem organização e sem disciplina financeira. Poupar ainda é visto como algo impossível, quando, na verdade, trata-se de um hábito que pode começar com valores pequenos, mas constantes.

Em algumas culturas, como a japonesa, existe um princípio amplamente difundido: viver com cerca de 70% da renda mensal e reservar os outros 30% para o futuro. Não se trata de privilégio financeiro, mas de disciplina. É essa mentalidade que protege famílias em momentos de crise, doenças, desemprego ou dificuldades inesperadas.

É verdade que o salário mínimo brasileiro, atualmente em R$ 1.621,00, está muito aquém do ideal para garantir dignidade plena a uma família. Nesse contexto, o governo precisa rever sua participação excessiva na renda do trabalhador, já que parcela significativa do salário é consumida por impostos diretos e indiretos. O empregador também é onerado por encargos elevados, que muitas vezes mais do que duplicam o custo real de cada funcionário.

Ao mesmo tempo, é necessário afirmar com clareza: o empregador possui não apenas responsabilidade legal, mas também moral. Não basta cumprir o mínimo exigido pela lei. Funcionários que ajudam a construir resultados, lucros e patrimônio precisam ser valorizados com salários mais justos e humanos.

Ainda assim, independentemente do cenário político ou econômico, cabe ao trabalhador e às famílias exercerem controle rigoroso de seus gastos. Adequar o padrão de vida à renda real, evitar dívidas desnecessárias e buscar separar mensalmente uma pequena quantia para reserva ou poupança é uma atitude de sabedoria. Ser previdente não é sinal de medo. É sinal de maturidade.

Deus, em Sua infinita sabedoria, jamais deixou Seus filhos sem orientação. As Escrituras Sagradas ensinam, de forma clara, o valor da preparação e da prudência. Na parábola das dez virgens, contada por Jesus Cristo, apenas cinco estavam preparadas, com azeite suficiente para o momento decisivo. As demais, despreparadas, sofreram as consequências da negligência.

A lição é direta: quem se antecipa atravessa os momentos difíceis com mais serenidade. A Bíblia reforça esse princípio ao ensinar: “Os planos do diligente conduzem à fartura.” (Provérbios 21:5) E ainda: “Na casa do sábio há tesouro e azeite, mas o insensato tudo desperdiça.” (Provérbios 21:20)

O Livro de Mórmon também orienta com clareza: “Não corrais mais depressa do que vossas forças permitem.” (Mosias 4:27) E adverte: “Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias.” (Doutrina e Convênios 88:119)

O hábito da poupança mensal é essencial. Ainda que o valor seja modesto, o ato de separar regularmente uma quantia do salário desenvolve disciplina, autocontrole e visão de futuro. Poupar não é privilégio de quem ganha muito, mas decisão consciente de quem aprende a administrar bem o que tem.

Infelizmente, essa cultura econômica saudável raramente é ensinada nos bancos escolares. Crianças e jovens aprendem conteúdos complexos, mas não aprendem a organizar um orçamento doméstico, diferenciar necessidade de desejo, planejar gastos ou compreender os riscos do consumo impulsivo.

Muitos lares, por falta de orientação, acabam repetindo erros de geração em geração. O resultado é um ciclo de endividamento, ansiedade, conflitos familiares e dependência constante de empréstimos e juros abusivos.

Promover educação financeira dentro do lar é, portanto, um ato de amor. Ensinar a gastar apenas com o necessário, evitar desperdícios, planejar compras e valorizar cada recurso recebido fortalece o ambiente familiar e gera segurança emocional.

Quando a família aprende a viver com simplicidade e organização, cria-se um lar mais leve, onde há diálogo, cooperação e paz. Os filhos crescem entendendo que o dinheiro não é um fim em si mesmo, mas um meio para viver com dignidade e servir melhor ao próximo.

No fim, ser previdente é muito mais do que uma escolha econômica. É um princípio espiritual. É compreender que Deus espera de nós responsabilidade, equilíbrio e gratidão. Ele provê, sim — mas também nos ensina a administrar.

A fé verdadeira não dispensa o planejamento; ela o inspira. E quando unimos confiança em Deus com prudência nas decisões, o futuro deixa de ser motivo de medo e passa a ser um caminho de esperança, segurança e paz.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Municípios

Rebouças Renascença Reserva Reserva do Iguaçu Ribeirão Claro Ribeirão do Pinhal Rio Azul Rio Bom Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Rio Branco do Sul Rio Negro Rolândia Roncador Rondon Rosário do Ivai Sabáudia Salgado Filho Salto do Itararé Salto do Lontra Santa Amélia Santa Cecília do Pavão Santa Cruz Monte Castelo Santa Fé Santa Helena Santa Inês Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mariana Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santana do Itararé Santo Antônio da Platina Santo Antônio do Caiuá Santo Antônio do Paraíso Santo Antônio do Sudoeste Santo Inácio Sapopema Sarandi Saudade do Iguaçu São Carlos do Ivaí São Jerônimo da Serra São João São João do Caiuá São João do Ivaí São João do Triunfo São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José da Boa Vista São José das Palmeiras São José dos Pinhais São Manoel do Paraná São Mateus do Sul São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Pedro do Ivaí São Pedro do Paraná São Sebastião da Amoreira São Tomé Sengés Serranópolis do Iguaçu Sertanópolis Sertaneja Siqueira Campos Sulina Tamarana Tamboara Tapejara Tapira Teixeira Soares Telêmaco Borba Terra Boa Terra Rica Terra Roxa Tibagi Tijucas do Sul Toledo Tomazina Três Barras do Paraná Tunas do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Uniflor Uraí Ventania Vera Cruz do Oeste Verê Vila Alta Virmond Vitorino Wenceslau Braz Xambrê

ParanAgora © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: