Campo Grande (MS), Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

Tarifaço pressiona Flávio Bolsonaro e preocupa aliados na disputa presidencial

Senador tenta atribuir medida a Lula, mas pesquisa Quaest mostra que maioria dos eleitores associa a crise à atuação do próprio pré-candidato

17/07/2026

09:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) reconhecem que a nova tarifa imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros pode trazer desgaste à sua pré-candidatura à Presidência. Nos bastidores, integrantes do grupo político esperavam que a cobrança adicional de 25% fosse adiada, o que permitiria ao parlamentar apresentar a decisão como resultado de sua interlocução com o governo norte-americano.

A expectativa, porém, não se confirmou. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) manteve a entrada em vigor da tarifa para 22 de julho, após uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A medida alcança parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, embora uma extensa lista de itens tenha sido excluída da sobretaxa. A decisão passou a ocupar espaço central no debate político e deve continuar sendo explorada pelas campanhas ao longo dos próximos meses.

Estratégia previa capitalizar eventual recuo

Antes da confirmação da cobrança, aliados de Flávio Bolsonaro trabalhavam com a possibilidade de um adiamento. O senador poderia, então, sustentar que sua atuação junto à equipe de Donald Trump havia contribuído para evitar ou reduzir o impacto da medida sobre o Brasil.

Essa articulação chegou a ser registrada em uma carta enviada pelo parlamentar ao governo dos Estados Unidos. Sem o recuo esperado, o discurso mudou.

Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro passou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela tarifa. O senador argumenta que a medida seria consequência da condução diplomática do governo brasileiro e de uma suposta incapacidade de negociação com os norte-americanos.

O parlamentar também endossou manifestações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que acusou Lula de não negociar de boa-fé e criticou políticas adotadas pelo Brasil.

Pesquisa mostra percepção diferente

A estratégia enfrenta resistência entre os eleitores, segundo levantamento da Quaest. A pesquisa indica que a maioria dos entrevistados considera o tarifaço prejudicial ao Brasil e tende a se alinhar mais à versão apresentada pelo presidente Lula.

Quando questionados sobre quem teria provocado a medida, 51% concordaram com a interpretação de Lula, de que a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump contribuiu para a sanção. Outros 30% aceitaram a versão do senador, que atribui a responsabilidade ao presidente brasileiro.

O levantamento também avaliou as justificativas apresentadas para a adoção da tarifa. Para 49%, a medida teria relação com uma retaliação ao Pix, conforme sustenta o governo federal. Já 33% concordaram com Flávio Bolsonaro, que associa a cobrança às declarações de Lula contra os Estados Unidos.

Na pesquisa anterior, realizada em junho, os percentuais eram de 46% e 36%, respectivamente. Os números indicam aumento da adesão à explicação defendida pelo presidente.

Tema afeta intenção de voto

O estudo também aponta que o conflito comercial pode produzir efeitos eleitorais. Segundo a Quaest, o tarifaço aumenta a disposição de voto em Lula e reduz o apoio a Flávio Bolsonaro entre parte dos entrevistados.

Esse resultado preocupa o entorno do senador, especialmente porque o episódio permite ao governo federal associar o pré-candidato a uma decisão tomada por uma administração estrangeira e com impacto direto sobre empresas, exportações e empregos no Brasil.

Reservadamente, aliados admitem que o assunto representa um dos pontos de maior desgaste para a campanha e avaliam que seria favorável retirar o tema do centro do noticiário.

A tendência, no entanto, é oposta. A equipe política de Lula pretende explorar o episódio ao longo da campanha, principalmente para reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional e responsabilizar Flávio Bolsonaro por sua aproximação com o governo norte-americano.

Com a tarifa marcada para começar em 22 de julho, o impacto econômico da medida e a resposta do governo brasileiro devem manter o assunto presente no debate eleitoral.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Municípios

Rebouças Renascença Reserva Reserva do Iguaçu Ribeirão Claro Ribeirão do Pinhal Rio Azul Rio Bom Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Rio Branco do Sul Rio Negro Rolândia Roncador Rondon Rosário do Ivai Sabáudia Salgado Filho Salto do Itararé Salto do Lontra Santa Amélia Santa Cecília do Pavão Santa Cruz Monte Castelo Santa Fé Santa Helena Santa Inês Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mariana Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santana do Itararé Santo Antônio da Platina Santo Antônio do Caiuá Santo Antônio do Paraíso Santo Antônio do Sudoeste Santo Inácio Sapopema Sarandi Saudade do Iguaçu São Carlos do Ivaí São Jerônimo da Serra São João São João do Caiuá São João do Ivaí São João do Triunfo São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José da Boa Vista São José das Palmeiras São José dos Pinhais São Manoel do Paraná São Mateus do Sul São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Pedro do Ivaí São Pedro do Paraná São Sebastião da Amoreira São Tomé Sengés Serranópolis do Iguaçu Sertanópolis Sertaneja Siqueira Campos Sulina Tamarana Tamboara Tapejara Tapira Teixeira Soares Telêmaco Borba Terra Boa Terra Rica Terra Roxa Tibagi Tijucas do Sul Toledo Tomazina Três Barras do Paraná Tunas do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Uniflor Uraí Ventania Vera Cruz do Oeste Verê Vila Alta Virmond Vitorino Wenceslau Braz Xambrê

ParanAgora © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: