Política / Caso Master
Flávio Bolsonaro nega conhecer “Sicário” após divulgação de foto tirada em 2022
Imagem mostra senador ao lado de Luiz Phillipi Mourão, apontado pela PF como integrante de grupo ligado a Daniel Vorcaro; parlamentar diz atender diariamente a pedidos de fotografias
15/07/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou conhecer Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, depois que o portal ICL Notícias divulgou, nesta quarta-feira (15), uma fotografia em que os dois aparecem juntos.
Segundo o portal, a imagem teria sido registrada em 2022, em um hotel localizado na zona sul do Rio de Janeiro. Mourão foi apontado pela Polícia Federal (PF) como integrante de um grupo suspeito de realizar ações de intimidação e violência a serviço do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master.
Flávio, que é pré-candidato à Presidência da República, afirmou não manter qualquer relação pessoal ou profissional com o homem retratado.
Em nota, o senador declarou que, por ser uma figura pública, costuma atender frequentemente a pedidos de fotografias.
“Como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas para tirar fotos pelas ruas.”
A manifestação sustenta que o registro isolado não comprova vínculo ou proximidade entre os dois.
O ICL Notícias informou que submeteu a fotografia a cinco ferramentas de detecção de imagens manipuladas ou produzidas por inteligência artificial.
De acordo com o site, as análises não encontraram indícios de que o registro tenha sido criado artificialmente. A fotografia mostra Flávio ao lado de Mourão em um ambiente aparentemente informal.
A data e o local atribuídos ao registro foram divulgados pelo portal, mas não há, até o momento, informação pública sobre as circunstâncias do encontro ou sobre quem teria feito a imagem.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foi identificado pela Polícia Federal como um homem próximo de Daniel Vorcaro e apontado como operador de um grupo chamado “A Turma”.
Segundo as investigações, o grupo teria sido utilizado para monitorar, ameaçar ou intimidar pessoas consideradas adversárias do ex-banqueiro, incluindo jornalistas. Mourão seria uma das principais figuras operacionais da estrutura.
O apelido “Sicário” aparece nos documentos da investigação. O termo é normalmente usado para se referir a pessoas contratadas para realizar ações violentas ou assassinatos, mas Mourão não chegou a ser julgado por essas suspeitas.
Mourão foi preso preventivamente na manhã de 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de dispositivos eletrônicos, ameaças e obstrução da Justiça relacionadas ao Banco Master.
Durante o cumprimento do mandado, os agentes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos, relógios, joias e uma pistola sem registro.
Após a prisão, Mourão foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, onde passou por revista e foi encaminhado para uma cela.
Ao meio-dia daquele dia, Mourão foi retirado da carceragem para prestar depoimento. O interrogatório durou aproximadamente duas horas.
Por volta das 15h20, depois de retornar à cela, ele atentou contra a própria vida, segundo a conclusão apresentada pela Polícia Federal.
Cerca de dez minutos depois, agentes perceberam a ocorrência e iniciaram procedimentos de reanimação. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou o preso ao Hospital João XXIII, na capital mineira.
Mourão não resistiu e teve a morte confirmada dois dias depois, após a conclusão do protocolo de morte encefálica.
Em abril, a Polícia Federal concluiu o inquérito aberto para apurar as circunstâncias do episódio dentro da carceragem.
O relatório concluiu que Mourão atentou contra a própria vida e que não foram identificados indícios de participação ou pressão externa na ocorrência. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações relacionadas ao caso Master.
A apuração analisou imagens de segurança, depoimentos dos agentes, procedimentos adotados na custódia e o atendimento médico prestado após o incidente.
Com o encerramento do inquérito policial, familiares e advogados de Mourão passaram a avaliar se solicitarão uma investigação paralela ou se ingressarão com uma ação de indenização contra o Estado.
A defesa aguardava acesso integral ao relatório para decidir quais providências seriam adotadas.
O caso também despertou interesse de parlamentares que investigam as atividades do grupo ligado a Daniel Vorcaro. A CPI do Crime Organizado, no Senado, chegou a aprovar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Mourão antes de sua morte.
Até o momento, a divulgação da fotografia não foi acompanhada de documentos, mensagens, registros financeiros ou outros elementos que indiquem uma relação entre Flávio Bolsonaro e Luiz Phillipi Mourão.
O senador nega conhecê-lo e argumenta que a imagem pode ter sido feita durante um pedido comum de fotografia por parte de um apoiador ou frequentador do local.
A existência do registro, isoladamente, não comprova participação do parlamentar nas atividades atribuídas a Mourão ou qualquer ligação com as investigações do Banco Master.
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