Política / Justiça
Damares diz que Michelle está “aflita” após Moraes restringir visitas a Bolsonaro
Senadora afirma que a ex-primeira-dama acompanha de perto o cumprimento das medidas impostas ao marido e teme novos desdobramentos judiciais
13/07/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) está “aflita” após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Damares relatou ter conversado com Michelle depois da publicação da decisão, nesta segunda-feira (13). Segundo a parlamentar, a ex-primeira-dama demonstra preocupação com a possibilidade de novos efeitos sobre a prisão domiciliar e tem se dedicado ao cumprimento das determinações judiciais impostas ao marido.
“Ela está aflita, preocupada e praticamente está presa com ele”, afirmou Damares ao descrever a rotina de Michelle ao lado do ex-presidente.
A declaração indica que, na avaliação da senadora, a ex-primeira-dama também enfrenta limitações práticas por acompanhar Bolsonaro durante o cumprimento da pena em casa. Michelle, porém, não é alvo da prisão domiciliar.
A medida adotada por Moraes ocorreu após Flávio Bolsonaro publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai. O documento foi divulgado no sábado (11) e apresenta o senador como porta-voz político do ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República.
Na mensagem, Jair Bolsonaro pede união entre seus aliados e reafirma apoio ao projeto eleitoral do filho. A publicação ocorreu em meio a disputas internas no grupo bolsonarista e à troca pública de acusações entre Flávio e Michelle.
Para Moraes, a divulgação pode representar descumprimento da proibição de uso das redes sociais imposta ao ex-presidente, inclusive quando a comunicação ocorre por meio de terceiros.
O ministro considerou ainda que o direito de visita teria sido utilizado com finalidade diferente da autorizada, porque Flávio teria obtido o documento durante o contato com o pai para posteriormente publicá-lo.
Além de suspender as visitas de Flávio, Moraes concedeu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro explique se ele sabia que a carta seria divulgada nas redes sociais do filho.
A manifestação deverá esclarecer se a produção do texto tinha como objetivo sua publicação e se houve participação consciente do ex-presidente em uma comunicação política pública.
A decisão trata o episódio como uma possível desobediência à ordem judicial, mas ainda não reconhece de forma definitiva que Bolsonaro descumpriu as condições estabelecidas para a prisão domiciliar.
Somente após receber os esclarecimentos da defesa o ministro poderá avaliar se haverá novas medidas na execução da pena.
Ao conceder a prisão domiciliar temporária a Bolsonaro, em 24 de março de 2026, Moraes estabeleceu uma série de restrições.
Entre elas está a proibição do uso de redes sociais de forma direta ou por intermédio de terceiros. A determinação busca impedir que mensagens produzidas pelo ex-presidente sejam divulgadas por familiares, aliados ou outras pessoas enquanto ele estiver submetido às limitações judiciais.
A suspensão das visitas de Flávio foi fundamentada no entendimento de que o senador teria atuado como intermediário na divulgação da manifestação política.
A prisão domiciliar permanece válida. Até o momento, a principal consequência do episódio foi a interrupção temporária das visitas do filho e a exigência de esclarecimentos.
A fala de Damares ocorre no mesmo dia em que a senadora fez um pronunciamento no plenário em defesa de Michelle e criticou integrantes da própria direita que vêm atacando a ex-primeira-dama.
A parlamentar afirmou que Michelle está enfrentando ofensivas nas redes sociais após os conflitos recentes com Flávio e declarou que permanecerá ao lado da amiga.
Apesar da defesa, Damares reafirmou apoio à pré-candidatura presidencial do senador. Segundo ela, não há contradição entre sustentar o projeto eleitoral de Flávio e proteger Michelle dos ataques pessoais.
A declaração sobre a aflição da ex-primeira-dama acrescenta um novo elemento à crise interna do grupo político, agora ampliada pelos possíveis reflexos judiciais da divulgação da carta.
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