Campo Grande (MS), Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

Política / Comércio Exterior

Flávio Bolsonaro usa declaração de Rubio para responsabilizar Lula por tarifa dos EUA

Senador compartilhou críticas do secretário norte-americano e afirmou que o presidente perdeu condições de conduzir o país

16/07/2026

09:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

Nesta quinta-feira (16), o parlamentar compartilhou uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na qual o integrante do governo de Donald Trump acusa Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos.

Flávio não apresentou uma análise detalhada sobre a lista de produtos atingidos ou sobre os efeitos econômicos da medida. O senador concentrou a manifestação em críticas políticas ao presidente brasileiro.

“Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto”, escreveu o parlamentar, antes de comparar o petista ao ex-presidente norte-americano Joe Biden

Senador acusa Lula de representar atraso

Na publicação, Flávio Bolsonaro afirmou que o atual governo transmite insegurança e falta de perspectiva para o país.

Segundo o senador, quem observa a administração Lula não enxerga futuro, mas “passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência e vingança”.

A manifestação ocorreu após os Estados Unidos confirmarem uma sobretaxa de 25% sobre uma ampla relação de produtos brasileiros. A cobrança está prevista para entrar em vigor em 22 de julho de 2026

Rubio atribui tarifa à postura do governo brasileiro

O comentário compartilhado por Flávio foi publicado por Marco Rubio, que responsabilizou diretamente o governo brasileiro pelo fracasso das negociações comerciais.

Rubio afirmou que Lula teria colocado interesses pessoais acima da construção de um acordo e classificou as políticas do governo brasileiro como prejudiciais tanto aos norte-americanos quanto aos brasileiros. 

A declaração do secretário de Estado reforça a interpretação de que a medida comercial também ganhou contornos políticos. Oficialmente, porém, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sustenta que a tarifa decorre de uma investigação sobre práticas consideradas desleais ou restritivas ao comércio norte-americano. 

Investigação durou cerca de um ano

A nova tarifa foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite aos Estados Unidos investigar políticas estrangeiras consideradas discriminatórias, injustificáveis ou prejudiciais ao comércio do país.

A apuração examinou questões relacionadas ao comércio digital, ao sistema brasileiro de pagamentos, à propriedade intelectual, ao etanol, ao combate à corrupção e às políticas ambientais. Ao final do procedimento, o USTR concluiu que determinadas práticas brasileiras poderiam restringir empresas e exportadores norte-americanos. 

O governo brasileiro rejeita as conclusões e afirma ter apresentado informações e argumentos para contestar as acusações durante o processo.

Relação de Rubio com a família Bolsonaro

Marco Rubio mantém interlocução política com integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No mês passado, ele recebeu Flávio e outros representantes do grupo político durante uma viagem aos Estados Unidos.

No início de julho, Flávio também participou de uma audiência em Washington e pediu a suspensão temporária da tarifa, argumentando que a medida poderia prejudicar empresas brasileiras e influenciar o cenário eleitoral. Posteriormente, declarou que seu objetivo era conseguir o cancelamento da cobrança. 

Essa proximidade é utilizada pelo governo Lula para sustentar que a disputa comercial recebeu influência política de aliados do ex-presidente brasileiro. Flávio nega ter atuado para provocar as tarifas e afirma que tentou impedir ou adiar sua aplicação.

Lista possui produtos atingidos e isentos

A tarifa de 25% não alcança todos os produtos exportados pelo Brasil. O documento norte-americano estabeleceu exceções para mercadorias consideradas importantes para o abastecimento e para cadeias produtivas dos Estados Unidos.

Entre os itens isentos estão produtos como café, carne bovina, laranja, determinados recursos energéticos e componentes aeroespaciais. Já setores ligados a açúcar, máquinas, vestuário, calçados, papel, químicos e outros bens poderão ser afetados. 

Brasil promete adotar reciprocidade

Em resposta, o governo brasileiro repudiou a decisão e anunciou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

O Planalto argumenta que os Estados Unidos mantiveram expressivo saldo positivo no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos anos e considera injustificada a imposição unilateral da nova alíquota. O governo também avalia levar a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC)

A crise comercial passou a alimentar o confronto político entre Lula e Flávio, que devem explorar versões opostas sobre a origem e a responsabilidade pelo tarifaço durante a disputa presidencial.


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