Política / Opinião
Reflexão dominical: a altivez de Lula e os erros estratégicos da extrema-direita brasileira
Análise aponta que o encontro entre Lula e Trump consolidou a imagem do presidente como líder firme e soberano no cenário internacional
26/10/2025
16:30
CARLOS MARUN
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O episódio mais recente da política internacional brasileira — o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Malásia — deixou marcas não apenas na diplomacia, mas também na percepção pública sobre liderança, soberania e maturidade política.
Enquanto parte da extrema-direita apostava que o diálogo com o republicano traria constrangimento ao Brasil, o desfecho foi exatamente o oposto: Lula saiu fortalecido, e a direita radical perdeu mais um embate simbólico.
Para observadores experientes, o erro central da extrema-direita foi acreditar que o apoio automático a Trump representaria uma estratégia de força internacional. Essa ilusão — estimulada por Eduardo Bolsonaro e outros influenciadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro — acabou revelando uma visão rasa das relações diplomáticas e um completo desconhecimento sobre a natureza pragmática da política internacional.
“Subestimar um adversário é caminho certo para o fracasso”, resume a reflexão. Mesmo quem não votou em Lula reconhece que o presidente soube preservar a honra e a soberania nacional, algo que poucos líderes conseguem demonstrar em tempos de polarização e incertezas geopolíticas.
O encontro com Trump ocorreu em um “terreno neutro”, durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), e mostrou a capacidade de Lula em conduzir um diálogo sem submissão, sem confronto e com postura de estadista.
“Ele saiu muito maior deste episódio. Preservou nossa honra e soberania — e por isso lhe sou grato”, reconhecem até vozes que se colocam fora de seu campo ideológico.
A avaliação é de que Lula recuperou a imagem internacional do Brasil, especialmente após anos de isolamento e desconfiança no exterior. Enquanto isso, a direita bolsonarista ainda se agarra a símbolos estrangeiros, perdendo espaço no debate político interno.
A crítica mais contundente é direcionada à direita “pseudo-patriótica”, que se diz nacionalista, mas adotou a bandeira norte-americana como símbolo de identidade política.
“Faltou à direita a altivez que sobrou a Lula”, pontua o texto. “Enquanto alguns desfilavam no 7 de Setembro com bandeiras dos Estados Unidos, Lula sentava à mesa com o presidente americano para defender o Brasil.”
Essa contradição, para analistas políticos, revela a crise de autenticidade da extrema-direita brasileira, que se dividiu entre o radicalismo ideológico e a perda de conexão com as reais pautas nacionais.
A reflexão conclui que o episódio da Malásia representa um divisor de águas no caminho para as eleições de 2026.
Os que desejam disputar o poder com Lula precisam aprender com os erros, abandonar o discurso conspiratório e retomar a racionalidade política.
“Reconheçam isto os que desejarem vencer Lula — ou mais uma vez comecem a procurar culpados pela derrota”, alerta a análise.
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