POLÍTICA
Mudança em projeto que flexibiliza Lei da Ficha Limpa elimina brecha que beneficiaria Bolsonaro
Texto que reduz prazo de inelegibilidade segue travado no Senado e divide opiniões entre parlamentares
20/03/2025
07:30
NAOM
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A proposta de lei que flexibiliza a Lei da Ficha Limpa sofreu uma alteração no Senado que impede o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de utilizar a nova legislação para tentar reverter sua inelegibilidade e concorrer às eleições de 2026. O projeto, de autoria da deputada Dani Cunha (União Brasil-RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, tem como ponto principal a redução do prazo de perda dos direitos políticos.
A mudança foi proposta pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e aceita pelo relator da matéria, Weverton Rocha (PDT-MA). Com isso, foi retirado do texto o trecho que condicionava a inelegibilidade à cassação de registros, de diplomas ou de mandatos, o que, segundo especialistas, elimina a possibilidade de Bolsonaro recorrer à nova legislação para recuperar seus direitos políticos.
De acordo com o advogado Márlon Reis, um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa, a alteração de Randolfe descarta qualquer hipótese de Bolsonaro usar o projeto a seu favor.
A proposta chegou a ser discutida no plenário do Senado na última terça-feira (18), mas a baixa presença de parlamentares e a possibilidade de derrota levaram ao adiamento da votação.
Segundo fontes do Congresso, a principal resistência ao projeto não veio da emenda de Randolfe, mas da redução drástica dos prazos de inelegibilidade prevista no texto. Atualmente, o prazo de inelegibilidade é cumulativo e pode ultrapassar oito anos, dependendo da decisão judicial e do tempo restante de mandato do político.
Caso o projeto seja aprovado:
✅ O prazo de inelegibilidade será fixado em oito anos (sem possibilidade de aumento);
✅ A contagem começará a partir da decisão judicial, eleição na qual ocorreu o ilícito ou renúncia (e não do trânsito em julgado da condenação);
✅ A inelegibilidade não será cumulativa em caso de múltiplas condenações.
Diante da alteração que impede a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro, seus aliados agora concentram esforços em um projeto de anistia, que tramita na Câmara dos Deputados. No entanto, a proposta enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o que pode dificultar sua aprovação.
Ainda não há data definida para que o projeto volte à pauta do Senado. Parlamentares avaliam que isso pode demorar, uma vez que Alcolumbre deve viajar na próxima semana e o texto continua gerando divergências entre os congressistas.
O senador Weverton Rocha tem evitado mudanças substanciais no projeto, pois qualquer alteração significativa faria com que o texto voltasse para análise da Câmara dos Deputados, atrasando sua tramitação.
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