Política / Investigação
Lula cobrou explicações de Jaques Wagner antes de operação da PF no caso Master
Presidente teria perguntado ao líder do governo no Senado sobre suspeitas envolvendo o PT da Bahia e ouviu que não havia irregularidades
18/06/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Antes de ser alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira, 18 de junho, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, foi questionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre possíveis ligações com o caso Banco Master. Segundo fontes do governo ouvidas pela imprensa, o parlamentar negou qualquer irregularidade ao presidente.
As conversas teriam ocorrido mais de uma vez desde o início das suspeitas envolvendo eventuais relações de integrantes do PT da Bahia com o caso. De acordo com esses relatos, Lula perguntou diretamente a Jaques Wagner se havia algo que pudesse comprometer o senador ou o partido. A resposta teria sido de que não havia nada.
A apuração da Polícia Federal, no entanto, aponta para uma relação próxima entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, um dos investigados ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A operação desta quinta-feira colocou o líder do governo no centro de uma nova crise política em Brasília.
Até o momento, o governo federal não divulgou posição oficial sobre a situação de Jaques Wagner após a ação da PF. Também não há definição pública sobre eventual mudança na liderança do governo no Senado Federal, cargo considerado estratégico para a articulação política do Planalto.
O próprio Jaques Wagner afirmou considerar “muito difícil” que Lula decida retirá-lo da função. O senador argumenta que mantém uma relação de confiança histórica com o presidente. Os dois são aliados há cerca de 45 anos, e Wagner é visto como um dos nomes mais próximos de Lula dentro do PT.
Apesar disso, integrantes do governo avaliam que o caso pode gerar desgaste político. A preocupação é que, em ano eleitoral, a permanência de um líder do governo citado em investigação sobre o Banco Master possa trazer constrangimentos ao Planalto e alimentar críticas da oposição.
Aliados do presidente reconhecem que ainda não há comprovação de crime contra o senador. Mesmo assim, afirmam que a proximidade de Jaques Wagner com personagens investigados já representa um problema político para o governo, especialmente pela sensibilidade do caso e pelo impacto da operação da PF.
A investigação busca esclarecer a atuação de empresários e agentes públicos em possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. No centro das apurações estão relações políticas, operações financeiras e suspeitas de favorecimento ligadas ao grupo empresarial.
A situação de Jaques Wagner passa a ser acompanhada de perto no Congresso e no Palácio do Planalto. Além dos desdobramentos jurídicos, o caso pode interferir na articulação do governo no Senado, onde o parlamentar exerce papel central na negociação de projetos de interesse do Executivo.
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