Campo Grande (MS), Sexta-feira, 04 de Abril de 2025

Saúde / Comportamento

Transtorno de Bipolaridade: médico esclarece mitos e realidades sobre a doença

Especialistas ao redor do mundo reforçam a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essa condição que afeta milhões de pessoas.

31/03/2025

10:00

LUCAS PACINI

©DIVULGAÇÃO

No Brasil, estima-se que cerca de 4,4% da população sofra com algum espectro do transtorno bipolar ao longo da vida, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, o desconhecimento e os estigmas ainda dificultam o diagnóstico e o tratamento adequado. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o transtorno bipolar, conversamos com o médico residente em Psiquiatria Lucas Pacini, que desmistifica informações equivocadas e reforça a importância de um tratamento multidisciplinar.

 

"Bipolaridade não é apenas oscilação de humor"

De acordo com Pacini, um dos maiores mitos sobre o transtorno bipolar é a ideia de que ele se resume à oscilação entre alegria e tristeza. "Muitas pessoas acreditam que ser bipolar significa simplesmente mudar de humor rapidamente. Mas, na realidade, estamos lidando com alterações profundas no funcionamento cerebral, que vão muito além de emoções passageiras", explica o médico.

O transtorno bipolar é caracterizado por episódios de mania ou hipomania e fases depressivas, que podem durar dias, semanas ou até meses. Durante a mania, o indivíduo pode apresentar energia extrema, impulsividade, insônia, grandiosidade e comportamentos de alto risco, como gastos excessivos ou abuso de substâncias. Já na depressão, a pessoa pode experimentar desesperança profunda, fadiga extrema e pensamentos suicidas.

O impacto do diagnóstico tardio

Um dos grandes desafios no Brasil é o tempo médio para o diagnóstico, que pode levar mais de 10 anos desde os primeiros sintomas. "Isso acontece porque muitas vezes os episódios de euforia são confundidos com traços de personalidade, enquanto a fase depressiva é tratada isoladamente, sem investigar a história completa do paciente", pontua Pacini.

O atraso no diagnóstico pode levar a um tratamento inadequado. "Se um paciente bipolar recebe apenas antidepressivos, sem estabilizadores de humor, ele pode entrar em um quadro de mania induzido pela medicação, o que piora ainda mais sua saúde mental", alerta.

"O tratamento vai muito além da medicação"

O manejo do transtorno bipolar exige uma abordagem abrangente. Segundo o Pacini, a combinação de medicamentos e psicoterapia é essencial para o controle da doença. "Os estabilizadores de humor, como o lítio, são fundamentais para evitar oscilações extremas. Em alguns casos, antipsicóticos e antidepressivos também são indicados, mas sempre com muito critério", explica.

Além da medicação, a psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC) tem se mostrado eficaz para ajudar o paciente a reconhecer gatilhos e desenvolver estratégias de enfrentamento. "A terapia auxilia na regularização emocional, no estabelecimento de rotinas saudáveis e na prevenção de recaídas", afirma o médico residente em Psiquiatria.

O suporte da família também é essencial. "Educar os familiares sobre o transtorno bipolar é uma parte importante do tratamento. Muitos pacientes enfrentam rejeição e incompreensão dentro de casa, o que pode agravar os sintomas", ressalta Pacini.

Qualidade de vida e tratamento adequado

Com o acompanhamento correto, é possível ter uma vida equilibrada mesmo com o transtorno bipolar. "Muitos pacientes conseguem manter suas rotinas, trabalhar, estudar e ter relações saudáveis. O segredo está na adesão ao tratamento, na identificação de sinais precoces de recaída e na construção de um suporte sólido", destaca Pacini.

Atualmente, o Brasil ainda enfrenta desafios na disponibilização de tratamento para transtornos mentais, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). "É crucial que haja mais investimentos em saúde mental, com maior acesso a psiquiatras, psicólogos e medicações adequadas", reforça o médico.

De acordo com o médico, a principal mensagem é que há esperança e possibilidade de qualidade de vida para quem recebe o diagnóstico. "A bipolaridade não é uma sentença. Com conhecimento, tratamento adequado e suporte, é possível viver bem", finaliza Lucas Pacini.


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