Política Nacional
Articulação de governadores de direita irrita clã Bolsonaro e expõe racha no campo conservador
Carlos e Eduardo Bolsonaro criticam Tarcísio, Zema e outros nomes por agendas eleitorais em meio à prisão domiciliar do ex-presidente
19/08/2025
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A movimentação política de governadores de direita considerados presidenciáveis tem gerado tensão no bolsonarismo. Após eventos de caráter eleitoral, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) publicou, no último domingo (17), um texto nas redes sociais chamando de “ratos” e “cúmplices covardes” os chamados “governadores democráticos”. A mensagem foi compartilhada por seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e interpretada como recado direto a lideranças como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG).
Aliados próximos de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar desde 4 de agosto, enxergam nas críticas dos filhos do ex-presidente uma reação à postura dos governadores, que vêm ganhando protagonismo em agendas políticas sem menções diretas ao líder do PL.
O pastor Silas Malafaia, aliado histórico de Bolsonaro, reforçou o tom de Carlos:
“Você acha que essa é a hora de alguém se lançar candidato quando um ex-presidente, sem culpa de crime nenhum, está em prisão domiciliar? É hora de alguém arvorar alguma coisa? Por isso que o filho de Bolsonaro, com muita razão, se posicionou.”
Malafaia criticou ainda a ausência de ataques diretos ao ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pelos processos contra o ex-presidente:
“Ele [Carlos] está indignado porque está vendo o pai definhando, doente, e não tem uma reação dura contra Alexandre de Moraes.”
O incômodo cresceu após uma série de eventos recentes:
13 de agosto – no encontro do BTG Pactual em São Paulo, Tarcísio, Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR) criticaram Lula e o PT, mas não citaram Bolsonaro nem Moraes.
16 de agosto – Romeu Zema lançou oficialmente sua pré-candidatura à Presidência, com ataques ao governo petista, mas sem menções ao ex-presidente.
Agosto – Tarcísio intensificou encontros com investidores e empresários, incluindo reuniões com executivos do Bank of America, do Goldman Sachs e até na casa do cantor Latino, para discutir cenário político e econômico.
Para a ala mais radical do bolsonarismo, governadores e presidenciáveis deveriam adotar a tese de que “eleição sem Bolsonaro é golpe” e colocar a anistia dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 como pauta central, além de atacar diretamente Moraes.
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, também aliado de Bolsonaro, comparou o tratamento dado ao ex-presidente ao caso de Lula:
“Estão, literalmente, enterrando vivo nosso presidente. O outro [Lula] estava condenado, tiraram da cadeia e colocaram no jogo. O nosso nem condenação possui e estão atropelando.”
No texto publicado no X (antigo Twitter), Carlos acusou governadores de direita de quererem apenas herdar o espólio político de Bolsonaro:
“A verdade é dura: todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater.”
O vereador descreveu o pai como “preso, doente e sendo lentamente assassinado”, criticou líderes que seguem orientações do “mercado” e acusou-os de oportunismo:
“Querem apenas herdar o espólio de Bolsonaro, se encostando nele de forma vergonhosa e patética.”
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por determinação de Alexandre de Moraes e será julgado em setembro no STF por suposta tentativa de golpe de Estado.
O movimento de governadores de direita em agendas eleitorais evidencia o racha na direita e fragiliza a centralidade do ex-presidente no campo conservador.
Tarcísio, Caiado, Ratinho Jr. e Zema são citados como nomes competitivos para 2026, enquanto Bolsonaro segue inelegível.
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