Política / Investigação
Operação contra Jaques Wagner muda reação de Flávio Bolsonaro no caso Banco Master
Aliados avaliam que ação da PF contra líder do governo no Senado abriu espaço para senador tentar dividir desgaste político envolvendo Daniel Vorcaro
20/06/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
A operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mudou a estratégia política adotada pelo entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da crise envolvendo o Banco Master. Depois de semanas pressionado por revelações sobre sua articulação com Daniel Vorcaro, dono da instituição, o senador passou a usar o novo episódio para tentar deslocar parte do desgaste para o PT.
O caso envolve a busca de recursos junto a Vorcaro para o filme “Dark horse”, projeto ligado à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A exposição das conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro passou a ser vista por aliados como um dos principais pontos vulneráveis da pré-campanha presidencial do senador, especialmente diante de debates, entrevistas e sabatinas previstas para a disputa.
A avaliação interna é que a operação contra Jaques Wagner não elimina o problema político de Flávio, mas cria uma linha de contra-ataque. Integrantes do grupo do senador afirmam que, pela primeira vez desde o avanço das denúncias relacionadas ao Banco Master, o desgaste deixou de estar concentrado apenas sobre ele.
Poucas horas após a ação da PF, Flávio Bolsonaro voltou a defender publicamente a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o Banco Master. Nas redes sociais, associou o caso ao governo federal e escreveu que “escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder”, reforçando o pedido pela CPMI do Banco Master.
Apesar da pressão pública, interlocutores do senador reconhecem que a instalação da comissão não deve avançar rapidamente se depender do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Nos bastidores, a leitura é que não há disposição política imediata para abrir uma investigação parlamentar com potencial de atingir diferentes grupos.
Em evento realizado em São Paulo, onde apresentou pontos de seu programa voltado à segurança pública, Flávio Bolsonaro voltou a tratar do tema e tentou vincular o escândalo ao núcleo petista da Bahia. O senador afirmou que a operação contra Jaques Wagner representaria um sinal de combate à impunidade e disse que o centro do problema estaria ligado ao PT baiano.
As equipes digitais ligadas à pré-campanha passaram a repercutir os desdobramentos da operação ao longo do dia. A estratégia foi reforçar a associação entre o caso Banco Master, lideranças petistas e a atuação de Jaques Wagner no Senado, tentando transformar uma crise defensiva em uma pauta de ataque político.
Mesmo assim, aliados de Flávio Bolsonaro admitem que as situações têm pesos diferentes. O senador é pré-candidato à Presidência da República e tende a enfrentar maior exposição pública. Já Jaques Wagner, embora seja uma figura histórica do PT, líder do governo no Senado e aliado direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não disputará o Palácio do Planalto.
A mudança de postura indica que o caso Banco Master deve seguir como tema de disputa política nos próximos meses. Para Flávio Bolsonaro, a operação contra Wagner oferece uma oportunidade de reagir. Para seus adversários, porém, as explicações sobre sua relação com Daniel Vorcaro ainda devem continuar no centro das cobranças durante a pré-campanha.
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