Campo Grande (MS), Terça-feira, 07 de Julho de 2026

Economia / Balança Comercial

Brasil volta a ampliar vendas aos Estados Unidos após impacto das tarifas

Receita com exportações subiu 3,7% em junho, mas avanço veio dos preços, enquanto o volume enviado ao mercado norte-americano recuou 6,6%

07/07/2026

17:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

As exportações brasileiras para os Estados Unidos voltaram a crescer em junho de 2026, depois de quase um ano de resultados negativos provocados pelo ambiente tarifário mais restritivo. As vendas somaram US$ 3,472 bilhões, alta de 3,7% sobre o mesmo mês de 2025.

Foi o primeiro avanço desde julho do ano passado, quando o governo do presidente norte-americano Donald Trump passou a cobrar uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros.

Os números foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Apesar da alta no valor negociado, o desempenho não representa aumento nas quantidades embarcadas. O volume físico exportado caiu 6,6%, enquanto os preços médios dos produtos brasileiros subiram 11%.

Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, foi essa valorização dos preços que sustentou o resultado positivo do mês.

Comércio com os EUA ficou praticamente empatado

As importações brasileiras de mercadorias norte-americanas atingiram US$ 3,471 bilhões em junho, redução de 12,3% na comparação anual.

Com exportações e importações separadas por apenas US$ 1 milhão, o Brasil registrou um pequeno superávit nas trocas com os Estados Unidos.

O resultado mensal, porém, ainda não compensou as perdas acumuladas no primeiro semestre.

Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras aos EUA totalizaram US$ 17,428 bilhões, queda de 13%. As importações alcançaram US$ 18,950 bilhões, recuo de 12,5%.

O saldo do período permaneceu negativo em US$ 1,522 bilhão para o Brasil.

China amplia distância entre parceiros comerciais

A China manteve ampla liderança como principal destino das exportações brasileiras.

Somente em junho, as vendas ao mercado chinês chegaram a US$ 12,291 bilhões, crescimento de 24,4%. As compras de produtos chineses somaram US$ 7,801 bilhões, avanço de 27,1%.

O saldo favorável ao Brasil foi de US$ 4,490 bilhões no mês.

No primeiro semestre, as exportações para a China alcançaram US$ 58,322 bilhões, alta de 21,9%, enquanto as importações ficaram em US$ 38,545 bilhões, crescimento de 8%.

A diferença garantiu superávit brasileiro de US$ 19,777 bilhões.

União Europeia registra expansão

O comércio com a União Europeia também avançou em junho.

As exportações brasileiras para o bloco somaram US$ 4,888 bilhões, aumento de 32,4%, enquanto as importações chegaram a US$ 4,708 bilhões, alta de 13,9%.

O mês terminou com saldo positivo de US$ 180 milhões.

No acumulado do primeiro semestre, o Brasil exportou US$ 26,906 bilhões para os países europeus, crescimento de 12,8%. As importações recuaram 0,4%, para US$ 24,263 bilhões.

O superávit no período chegou a US$ 2,643 bilhões.

Embora empresas já relatem operações beneficiadas pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor provisoriamente desde maio, o governo considera prematuro medir os efeitos do tratado sobre o fluxo total de comércio.

Argentina reduz demanda por produtos brasileiros

A Argentina apresentou movimento contrário ao observado em outros mercados.

As exportações brasileiras para o país vizinho caíram 18,1% em junho e ficaram em US$ 1,325 bilhão.

As importações de produtos argentinos aumentaram 17,2%, alcançando US$ 1,285 bilhão. Mesmo assim, o Brasil manteve superávit de US$ 40 milhões.

Nos seis primeiros meses do ano, as vendas brasileiras à Argentina somaram US$ 7,352 bilhões, queda de 19,4%. As importações cresceram 3,8%, chegando a US$ 6,401 bilhões.

O saldo acumulado permaneceu positivo em US$ 951 milhões.

A retomada das exportações aos Estados Unidos interrompe uma sequência negativa, mas ainda não indica recuperação sólida, já que o crescimento foi sustentado pelos preços. O desempenho dos próximos meses dependerá da política tarifária norte-americana, da competitividade dos produtos brasileiros e da capacidade das empresas de ampliar mercados.


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