Campo Grande (MS), Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

Disputas internas e falhas de comunicação ampliam desgaste na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

Aliados criticam centralização das decisões, influência do núcleo instalado nos Estados Unidos e dificuldade para reagir às crises políticas

06/07/2026

11:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um período de crescente tensão interna, marcado por críticas à estratégia de comunicação, disputas entre diferentes grupos e dificuldades para organizar uma linha política comum.

Nos bastidores, aliados responsabilizam parte do desgaste pela condução do senador Rogério Marinho (PL-RN), encarregado de articular a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação é de que as decisões estariam excessivamente concentradas, dificultando a participação de lideranças partidárias e ampliando os conflitos dentro do próprio grupo.

Integrantes da pré-campanha também apontam falta de integração entre as equipes responsáveis pela articulação política, comunicação e mobilização. Em vez de fortalecer a candidatura, a disputa por espaço estaria gerando ruídos e atrasando respostas a episódios de crise.

Estratégia de comunicação recebe críticas

Outro foco de insatisfação é a dificuldade da pré-campanha para produzir fatos políticos, conquistar espaço na imprensa e influenciar o debate público.

Segundo aliados, Flávio ainda mantém sua presença política principalmente por meio das próprias redes sociais e da mobilização espontânea de apoiadores. O grupo reclama da ausência de uma estratégia mais coordenada para apresentar propostas, responder aos adversários e reduzir os efeitos de crises internas.

A leitura de parte dos apoiadores é de que a pré-candidatura depende excessivamente do capital político da família Bolsonaro, sem conseguir estabelecer uma estrutura profissional capaz de ampliar o diálogo com outros setores do eleitorado.

Núcleo nos Estados Unidos gera atritos

As críticas também alcançam o grupo de aliados que atua nos Estados Unidos, chamado informalmente de “comitê dos EUA”. O núcleo inclui o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pessoas próximas à família.

Integrantes da campanha afirmam que decisões importantes estariam sendo influenciadas ou definidas por esse grupo, mesmo à distância. Essa dinâmica teria provocado dificuldades na comunicação interna e reduzido a autonomia da equipe responsável pela rotina da pré-campanha no Brasil.

Para aliados, a existência de diferentes centros de decisão aumenta o risco de declarações contraditórias e dificulta a construção de uma estratégia única.

Crise com Michelle aumenta desgaste

O ambiente se tornou ainda mais delicado após o confronto público envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Michelle afirmou ser alvo de ataques coordenados por influenciadores ligados ao grupo político e acusou integrantes instalados no exterior de promoverem uma campanha contra ela. O episódio expôs a divisão entre apoiadores da ex-primeira-dama e aliados de Flávio e Eduardo.

A saída de Michelle do comando do PL Mulher também ampliou as dúvidas sobre sua participação na campanha e sobre a capacidade do partido de recompor a unidade antes das eleições.

Carta aos Estados Unidos provoca reação

A carta enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos tornou-se outro ponto de desgaste.

No documento, o senador pediu que uma eventual aplicação de tarifas contra produtos brasileiros fosse adiada por 180 dias, período que ultrapassaria as eleições presidenciais de 2026.

A iniciativa provocou críticas porque Flávio não solicitou diretamente o cancelamento das medidas. Adversários e integrantes do governo federal passaram a sustentar que o pedido subordinaria uma questão econômica nacional ao calendário eleitoral.

Aliados reconhecem que o episódio dificultou a comunicação da pré-campanha e ofereceu espaço para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentar-se como defensor dos interesses comerciais brasileiros.

Com o acúmulo de crises, dirigentes e apoiadores cobram uma reorganização da pré-candidatura, maior integração entre os grupos e definição mais clara sobre quem conduz as decisões políticas e a estratégia de comunicação.


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