Política / Partidos
Eduardo cobra alinhamento a Flávio e amplia confronto com Michelle Bolsonaro
Ex-deputado defendeu fidelidade às decisões de Jair Bolsonaro e reagiu às denúncias da ex-primeira-dama sobre ataques coordenados nas redes sociais
06/07/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
A crise no núcleo político da família Bolsonaro ganhou um novo capítulo após Eduardo Bolsonaro defender publicamente o alinhamento à candidatura presidencial do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e dirigir uma crítica à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo afirmou que a escolha de Flávio como representante do grupo foi determinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e cobrou fidelidade à decisão. “O líder mandou, é Flávio Bolsonaro. Não gostou? Sai do partido”, declarou.
A manifestação ocorre em meio ao rompimento político entre Michelle e Flávio, que se tornou público após a ex-primeira-dama acusar o enteado de desrespeitá-la e desconsiderar suas opiniões nas articulações eleitorais do Partido Liberal. Michelle deixou o comando do PL Mulher, enquanto aliados consideram cada vez mais difícil uma reconciliação antes das eleições.
Eduardo reagiu a um trecho de entrevista do jornalista Cláudio Dantas, no qual foi discutida a atuação do maquiador e influenciador Agustín Fernández, amigo próximo de Michelle.
Durante o debate, foi questionado se Fernández funcionaria como uma espécie de porta-voz informal da ex-primeira-dama, já que publicou críticas contra Flávio sem receber uma desautorização pública de Michelle.
Um dos participantes comparou a situação à atuação do blogueiro Allan dos Santos, que vive no exterior e também faz críticas públicas dentro do campo bolsonarista. Eduardo rejeitou a comparação.
Segundo ele, Fernández mantém uma relação pessoal de intimidade com Michelle, enquanto Allan atuaria de maneira independente e teria credibilidade jornalística. Eduardo afirmou ainda que o blogueiro não seria comandado por ele, por Flávio nem por qualquer integrante da família.
O confronto aumentou depois que Michelle publicou um vídeo afirmando ser alvo de uma campanha organizada por influenciadores instalados fora do Brasil.
Sem mencionar diretamente todos os envolvidos, ela declarou que pessoas residentes no exterior estariam produzindo ataques frequentes, retirando inclusive o sobrenome Bolsonaro de seu nome em publicações.
“O grupo de maledicência, coordenado por quem está no exterior, continua agindo e me atacando todos os dias”, afirmou.
Michelle também disse reconhecer a origem das ofensivas e criticou a permanência de alguns desses influenciadores próximos a Flávio, inclusive em fotografias e eventos políticos.
O episódio aprofunda uma divisão que já vinha prejudicando a articulação eleitoral do PL. A saída de Michelle da direção da ala feminina retirou da campanha de Flávio uma figura com forte influência entre mulheres conservadoras e evangélicas, segmento no qual o grupo enfrenta dificuldades eleitorais.
Após o pronunciamento da ex-primeira-dama, Eduardo passou a compartilhar conteúdos críticos a Michelle na plataforma X.
Entre as publicações estava um vídeo de Alexandre Ramagem, no qual ele atribui o comportamento de Michelle a uma insatisfação por não ter sido escolhida por Jair Bolsonaro como candidata à Presidência da República.
A troca pública de acusações expôs a disputa por influência dentro do bolsonarismo. De um lado estão integrantes e aliados ligados à candidatura de Flávio; do outro, apoiadores que defendem maior protagonismo político para Michelle.
A tensão também repercute na organização da campanha presidencial. Flávio já trabalha com a possibilidade de não contar com a presença de Michelle em seus palanques e estuda ampliar a participação da esposa, Fernanda Bolsonaro, nas agendas eleitorais.
Outro foco de desgaste foi uma declaração do comentarista Paulo Figueiredo, aliado do grupo, afirmando que mulheres “votam mal”.
A fala gerou reações negativas inclusive entre apoiadores de Flávio. Diante da repercussão, o senador divulgou uma manifestação rejeitando a declaração e classificando o posicionamento como equivocado.
O confronto ocorre a poucos meses das eleições e amplia a percepção de fragmentação dentro do grupo que tenta preservar o capital político de Jair Bolsonaro. Pesquisas e análises recentes indicam que o desentendimento pode afetar especialmente o desempenho de Flávio entre eleitoras e setores evangélicos nos quais Michelle mantém influência própria.
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