Campo Grande (MS), Quinta-feira, 02 de Julho de 2026

Política / Comércio

Brasil contesta tarifa dos EUA e diz que medida pode encarecer produtos para americanos

Governo brasileiro defende Pix, decisões do STF e regras comerciais do país em resposta enviada ao representante comercial dos Estados Unidos

02/07/2026

14:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O governo brasileiro reagiu à proposta de tarifa de 25% sobre produtos nacionais e afirmou que a medida pode prejudicar a própria economia dos Estados Unidos. A posição foi apresentada em documento de 29 páginas enviado ao Representante Comercial dos EUA (USTR), com assinatura do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

No texto, o Itamaraty sustenta que uma tarifa ampla sobre exportações brasileiras imporia custos diretos a empresas, consumidores e indústrias norte-americanas. O governo cita manifestações de 43 empresas e associações comerciais dos EUA, que pediram a exclusão de produtos brasileiros de eventuais barreiras, alegando falta de substitutos internos e risco de aumento de preços.

Segundo a resposta brasileira, a aplicação da tarifa pode enfraquecer a relação bilateral de comércio e investimento entre os dois países. O documento afirma que a medida reduziria o espaço para negociações capazes de produzir resultados práticos e teria efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos.

A investigação do USTR foi aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, mecanismo usado para apurar supostas práticas consideradas desleais. O relatório que embasou a proposta de tarifa foi divulgado em junho e inclui críticas a temas como Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção, desmatamento ilegal e acordos comerciais do Brasil com México e Índia.

Na resposta, o governo brasileiro também afirma que a ameaça tarifária foi politizada por autoridades norte-americanas, com possível tentativa de interferência no ambiente eleitoral brasileiro. Para o Itamaraty, o uso do processo comercial como instrumento de pressão política não contribui para o diálogo entre os países.

Um dos pontos centrais do documento é a defesa do Pix. O Brasil rebateu a alegação de que o sistema de pagamentos instantâneos discriminaria empresas dos Estados Unidos. O texto lembra que companhias como Google Pay Brasil e Visa operam dentro do arranjo do Pix, o que, segundo o governo, desmonta a tese de exclusão ou tratamento desigual.

O documento também compara o Pix ao FedNow, infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Para o Brasil, a existência de sistemas públicos de pagamento não configura prática comercial desleal, mas uma política legítima de modernização financeira.

Outro ponto contestado envolve decisões do STF relacionadas a plataformas digitais sediadas nos Estados Unidos. O USTR citou determinações judiciais brasileiras para sustentar a tese de discriminação contra empresas norte-americanas. O governo brasileiro respondeu que as decisões seguem a legislação nacional e que empresas estrangeiras, ao operarem no Brasil, devem cumprir ordens judiciais brasileiras.

O ministro Mauro Vieira também rejeitou a crítica de que determinadas decisões seriam “secretas”. Segundo o documento, a confidencialidade em processos judiciais pode ser necessária para preservar investigações, proteger dados sensíveis e garantir a efetividade das apurações.

Na área comercial, o Brasil defendeu os acordos firmados com México e Índia, afirmando que eles respeitam as regras internacionais. O governo argumenta que os Estados Unidos não podem classificar como “irrazoáveis” acordos preferenciais legalmente negociados apenas por não quererem enfrentar concorrência no mercado brasileiro.

O relatório brasileiro também rebateu críticas sobre corrupção. Para isso, citou avaliações de organismos internacionais, incluindo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para sustentar que o país possui mecanismos robustos de combate a irregularidades e aplicação da lei.

No caso do etanol, o governo afirmou que a tarifa brasileira se aplica igualmente aos países que não contam com acordo preferencial. Por isso, segundo o documento, não haveria discriminação específica contra os Estados Unidos nem restrição direcionada ao comércio norte-americano.

Sobre o desmatamento ilegal, o Itamaraty destacou que o Brasil possui legislação ambiental reconhecida internacionalmente e vem ampliando investimentos em monitoramento, tecnologia e fiscalização. O próprio relatório do USTR, segundo o governo brasileiro, reconhece avanços recentes no combate aos crimes ambientais.

A resposta brasileira conclui que a tarifa de 25%, caso seja adotada, não deve produzir os efeitos esperados pelos Estados Unidos. Para o governo, a medida elevaria custos, prejudicaria empresas norte-americanas, tensionaria a relação bilateral e dificultaria soluções negociadas em áreas de interesse comum.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Municípios

Rebouças Renascença Reserva Reserva do Iguaçu Ribeirão Claro Ribeirão do Pinhal Rio Azul Rio Bom Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Rio Branco do Sul Rio Negro Rolândia Roncador Rondon Rosário do Ivai Sabáudia Salgado Filho Salto do Itararé Salto do Lontra Santa Amélia Santa Cecília do Pavão Santa Cruz Monte Castelo Santa Fé Santa Helena Santa Inês Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mariana Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santana do Itararé Santo Antônio da Platina Santo Antônio do Caiuá Santo Antônio do Paraíso Santo Antônio do Sudoeste Santo Inácio Sapopema Sarandi Saudade do Iguaçu São Carlos do Ivaí São Jerônimo da Serra São João São João do Caiuá São João do Ivaí São João do Triunfo São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José da Boa Vista São José das Palmeiras São José dos Pinhais São Manoel do Paraná São Mateus do Sul São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Pedro do Ivaí São Pedro do Paraná São Sebastião da Amoreira São Tomé Sengés Serranópolis do Iguaçu Sertanópolis Sertaneja Siqueira Campos Sulina Tamarana Tamboara Tapejara Tapira Teixeira Soares Telêmaco Borba Terra Boa Terra Rica Terra Roxa Tibagi Tijucas do Sul Toledo Tomazina Três Barras do Paraná Tunas do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Uniflor Uraí Ventania Vera Cruz do Oeste Verê Vila Alta Virmond Vitorino Wenceslau Braz Xambrê

ParanAgora © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: