Política / Eleições 2026
Flávio Bolsonaro adia escolha de vice enquanto aliados avaliam novos nomes para a chapa
Pré-campanha testa alternativas, mas ainda não encontrou nome capaz de ampliar votos de forma clara na disputa presidencial
15/06/2026
07:00
DA REDAÇÃO
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República segue sem definição sobre quem ocupará a vaga de vice na chapa. A escolha, considerada estratégica para ampliar o alcance eleitoral do candidato, foi adiada nas últimas semanas em meio a dificuldades internas, pesquisas encomendadas pelo partido e desgastes políticos envolvendo o nome do senador.
Integrantes da pré-campanha afirmam que os nomes testados até agora não apresentaram impacto expressivo na intenção de voto. Mesmo assim, a avaliação dentro do PL é de que a escolha precisa cumprir uma função política clara: complementar o perfil de Flávio, reduzir resistências em segmentos específicos do eleitorado e ajudar na composição de alianças nacionais.
Nos últimos meses, o partido incluiu em levantamentos internos nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), além da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL). A leitura de aliados é que as parlamentares não agregaram votos de forma relevante, mas também não prejudicaram o desempenho do pré-candidato.
A busca por uma mulher para a vice-presidência tem sido defendida por setores da campanha como forma de equilibrar a chapa e dialogar melhor com o eleitorado feminino. O tema ganhou peso após pesquisas mostrarem vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre as mulheres. No levantamento Genial/Quaest, divulgado na quarta-feira, 10 de junho, Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 29% de Flávio. Entre o eleitorado feminino, Lula marca 41%, enquanto Flávio registra 24%.
Além do recorte de gênero, a pré-campanha também avalia a capacidade de cada nome dialogar com regiões onde o senador enfrenta maior dificuldade. No caso de Clarissa Tércio e Priscila Costa, por exemplo, aliados veem possível sinalização ao eleitorado do Nordeste e ao público religioso. Clarissa e Priscila são evangélicas, enquanto Simone Marquetto é católica.
Durante evento promovido pelo Grupo Voto, na segunda-feira, 8 de junho, Flávio afirmou que o prazo para a definição vai até 14 de agosto. Segundo ele, o perfil desejado é de alguém preparado, com boa reputação e que possa complementar a chapa. O senador também indicou preferência por uma mulher, embora a decisão ainda esteja aberta.
A discussão ganhou novo capítulo na quinta-feira, 11 de junho, quando o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu publicamente o nome da deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) para vice do irmão. Em publicação nas redes sociais, Eduardo destacou a lealdade da parlamentar e as pautas defendidas por ela no Congresso.
Apesar de ter sido lembrada em pesquisas e defendida por lideranças do partido, Tereza Cristina descarta a possibilidade de ser vice. Aliados da senadora afirmam que o principal projeto político dela é disputar a Presidência do Senado no próximo ano. Ainda assim, integrantes do PL avaliam que um convite formal poderia, em tese, reabrir a conversa, embora isso ainda não tenha ocorrido.
A definição também esbarra na falta de alinhamento com partidos do centro e da direita. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, já sinalizou que a legenda não deve apoiar nenhum candidato à Presidência. A federação formada por PP e União Brasil também mantém a decisão em aberto e adiou qualquer fechamento após o desgaste provocado pelos áudios em que Flávio pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Além desse episódio, a pré-campanha também foi impactada pela ameaça de novo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil, tema que ampliou a pressão política sobre Flávio nas últimas semanas. A avaliação de aliados é que, diante desse cenário, a escolha do vice perdeu espaço temporariamente para a tentativa de recompor articulações e preservar palanques estaduais.
Nos bastidores, dois integrantes do núcleo duro do PL sugeriram que o nome do senador Cleitinho (Republicanos-MG) seja incluído nas próximas pesquisas como possível vice. Cleitinho lidera levantamentos para o Governo de Minas Gerais, mas tem dito a pessoas próximas que não pretende disputar as eleições. Procurado sobre a possibilidade, o coordenador político da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou desconhecer a inclusão do nome nas sondagens.
Apesar da preferência declarada por uma mulher, parte da pré-campanha entende que outros critérios também devem pesar. Para esse grupo, mais do que somar votos diretamente, o vice precisa transmitir credibilidade, segurança institucional e capacidade de assumir a Presidência, caso necessário.
A escolha do nome deve ficar para depois da montagem dos palanques estaduais e das conversas com partidos aliados. Até lá, a chapa de Flávio Bolsonaro seguirá em construção, com a missão de encontrar um vice que ajude a ampliar apoios, reduzir resistências e dar consistência política à pré-campanha presidencial.
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