Campo Grande (MS), Sábado, 13 de Junho de 2026

Internacional / Segurança

EUA dizem que morte de líder do Tren de Aragua reforça ofensiva contra facções

Washington afirma que operação contra Niño Guerrero envia recado à América Latina sobre combate ao narcotráfico e ao crime organizado

13/06/2026

13:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

O governo dos Estados Unidos afirmou neste sábado, 13 de junho, que a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, representa um recado direto às organizações criminosas que atuam na América Latina. Ele era apontado como chefe do Tren de Aragua, facção venezuelana considerada uma das mais influentes da região.

A operação foi anunciada por Washington e Caracas na noite de sexta-feira, 12 de junho, após uma ação militar norte-americana realizada em coordenação com autoridades venezuelanas. Segundo as informações divulgadas, Niño Guerrero foi morto durante confrontos envolvendo integrantes de grupos armados.

Nas redes sociais, Patrick Weaver, subchefe de gabinete do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que a ação mostra o compromisso do governo do presidente Donald Trump com o enfrentamento ao narcotráfico. “A morte de Niño Guerrero envia uma mensagem clara à América Latina: não há refúgio para narcoterroristas em nosso hemisfério”, declarou.

O presidente Donald Trump também comentou a operação e disse que o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque “rápido e letal” contra o líder do Tren de Aragua. A Casa Branca tem tratado a facção como uma ameaça transnacional e intensificou, no último ano, ações contra grupos ligados ao tráfico de drogas e a rotas criminosas no Caribe e no Pacífico.

Fundado na Venezuela, o Tren de Aragua foi designado pelos Estados Unidos como organização terrorista. A facção expandiu sua atuação para países como Colômbia, Peru, Chile e Brasil. Em território brasileiro, investigações apontam presença especialmente em Roraima, na região de fronteira com a Venezuela.

Autoridades e pesquisadores associam o grupo a crimes como tráfico de drogas e armas, exploração sexual, transporte ilegal de migrantes, extorsão e atividades ligadas ao garimpo ilegal. A expansão da facção acompanhou o fluxo migratório provocado pela crise venezuelana, o que facilitou a presença do grupo em diferentes países.

Niño Guerrero nasceu em 1983, em Maracay, capital do estado venezuelano de Aragua. Ele começou a se envolver em crimes no início dos anos 2000 e acabou preso em 2010 por acusações como tráfico de drogas, homicídio e roubo. Depois, foi enviado ao presídio de Tocorón, que se tornou uma das bases de poder da facção.

Mesmo preso, Guerrero continuou exercendo influência sobre o Tren de Aragua. Durante o período em que controlou a prisão de Tocorón, o local passou a ter uma estrutura incomum, com áreas de lazer, comércio interno e espaços usados por integrantes do grupo. A situação passou a ser vista como símbolo da força da facção dentro do sistema penitenciário venezuelano.

Em 2023, autoridades venezuelanas realizaram uma grande operação para retomar o controle do presídio. Na ocasião, foram encontrados armamentos, estruturas clandestinas e passagens usadas para fuga. Niño Guerrero escapou durante a ação e voltou a ser tratado como um dos criminosos mais procurados da Venezuela.

Nos Estados Unidos, Guerrero havia sido acusado formalmente em dezembro de 2025 por um tribunal federal de Manhattan. As acusações incluíam conspiração para extorsão, terrorismo, importação de drogas e crimes relacionados a armas de fogo. O Departamento de Justiça dos EUA oferecia recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.

O nome do líder do Tren de Aragua também aparece em um processo federal em Nova York que envolve o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a primeira-dama Cilia Flores, o ministro do Interior Diosdado Cabello e um dos filhos do governante venezuelano.

A morte de Niño Guerrero deve ter impacto direto nas ações de segurança regional e na disputa pelo controle interno do Tren de Aragua. Para os Estados Unidos, a operação fortalece a estratégia de pressionar grupos criminosos transnacionais. Para países latino-americanos, o episódio aumenta a atenção sobre fronteiras, migração, tráfico e redes de crime organizado.


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