Segurança / Política
Lula planeja pacote de quase R$ 1 bilhão para combater crime organizado
Programa Brasil contra o Crime Organizado deve focar tráfico de armas, finanças das facções, investigação de homicídios e segurança prisional
06/05/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja anunciar um pacote de R$ 960 milhões para ações de segurança pública dentro do programa Brasil contra o Crime Organizado. A previsão é que o anúncio ocorra na próxima terça-feira, 12 de maio.
A iniciativa é tratada pelo governo federal como uma resposta a uma das áreas mais sensíveis para a gestão petista. A segurança pública deve ocupar espaço importante no debate eleitoral de 2026, especialmente diante do avanço do crime organizado e da pressão política por medidas mais duras contra facções criminosas.
O programa deve ser estruturado por meio de um decreto e pelo menos quatro portarias, com detalhamento de medidas operacionais, financiamento e regulamentação de pontos ligados ao chamado PL Antifacção.
A estratégia do Palácio do Planalto é construir uma marca própria na área de segurança pública e reagir às críticas sobre a atuação federal no enfrentamento às facções. O tema também ganha peso porque Lula deve disputar a reeleição contra nomes que exploram fortemente o discurso de endurecimento contra o crime organizado, como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
O pacote está sendo elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado pelo ministro Wellington Lima e Silva. Segundo a proposta, o crédito suplementar será direcionado ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional.
No Orçamento deste ano, estavam previstos R$ 607 milhões para o Fundo Penitenciário e R$ 2,1 bilhões para o Fundo Nacional de Segurança. O novo aporte representa quase um terço desse valor.
O investimento foi publicado no Diário Oficial de quinta-feira, 30 de abril. Além dos recursos diretos, o plano também prevê a criação de uma linha de crédito para facilitar empréstimos aos estados interessados em ampliar investimentos na segurança pública. Esse modelo ainda está em elaboração.
O Brasil contra o Crime Organizado será organizado em quatro frentes: combate ao tráfico de armas, asfixia financeira das facções, qualificação das investigações de homicídios e crimes graves e fortalecimento do sistema prisional.
Na área financeira, o plano prevê a expansão do Cifra, Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos, hoje concentrado no Rio de Janeiro, para outras unidades da federação. A medida busca ampliar a capacidade de rastreamento, bloqueio e recuperação de recursos ilícitos ligados a organizações criminosas.
O comitê reúne órgãos como Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Segurança Pública, Coaf, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, além de polícias civis, secretarias de Fazenda e Ministérios Públicos.
Outro foco será o reforço das provas técnicas nas investigações, com investimentos em Institutos Médicos Legais (IMLs), polícia científica, kits de coleta de DNA, comparadores balísticos e infraestrutura de cadeia de custódia.
Segundo dados do Instituto Sou da Paz, o Brasil registra mais de 40 mil homicídios por ano, mas apenas 36% desses crimes são esclarecidos com identificação de autoria e apresentação de denúncia pelo Ministério Público.
O programa também prevê medidas para aumentar a segurança dos sistemas prisionais estaduais, considerados pontos estratégicos de articulação e recrutamento do crime organizado.
Entre as ações previstas estão a distribuição de kits com drones, bloqueadores de celular, scanners corporais, georadares para detecção de túneis e equipamentos de varredura.
A proposta também inclui a criação de um Centro Nacional de Inteligência Penal, com a função de articular informações prisionais de todo o país e aproximar o padrão de segurança dos presídios estaduais ao das unidades federais.
Outro ponto do programa é o aprimoramento da gestão de bens apreendidos do crime organizado. A proposta prevê incentivo à alienação antecipada, que permite leilão antes do fim do processo judicial, e a realização de leilões centralizados pelo Ministério da Justiça.
A ideia é dar mais agilidade à destinação de ativos ligados a organizações criminosas. Os valores arrecadados devem ser encaminhados aos fundos da área de segurança pública, retornando ao sistema de prevenção e combate ao crime.
O governo também pretende realizar um pente-fino, com apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para reunir informações existentes em processos sobre facções, bens apreendidos, bloqueados ou listados.
Paralelamente ao novo programa, o governo tenta acelerar a tramitação da PEC da Segurança, atualmente no Senado Federal. O texto já passou pela Câmara dos Deputados.
Lula afirmou recentemente que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública caso a proposta seja aprovada. No entanto, a relação do governo com o Senado passa por desgaste após a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e as tensões com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Mesmo assim, o governo vê o novo pacote como uma tentativa de reorganizar sua agenda de segurança, ampliar a cooperação com estados e fortalecer ações contra facções criminosas, milícias, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
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