Economia / Trabalho
Carteira assinada segue como principal escolha de quem procura emprego no Brasil
Levantamento da CNI mostra preferência pela formalização, com valorização de direitos trabalhistas, estabilidade e proteção previdenciária
12/04/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Mesmo com o crescimento de novas formas de ocupação e com a visibilidade do trabalho por aplicativos e da atuação informal, o emprego com carteira assinada continua sendo a opção mais desejada entre os brasileiros que buscam colocação no mercado. É o que mostra uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontando que o modelo regido pela CLT ainda concentra a maior preferência entre os trabalhadores.
Segundo o levantamento, 36,3% dos entrevistados disseram considerar o emprego formal como a alternativa mais atrativa. O resultado reforça que, apesar das mudanças nas relações de trabalho, o acesso a direitos trabalhistas, benefícios previdenciários e maior sensação de estabilidade ainda pesa na decisão de quem procura uma vaga.
Na sequência, aparecem o trabalho autônomo, citado por 18,7%, e o emprego informal, apontado por 12,3% dos entrevistados. Já o trabalho em plataformas digitais foi mencionado por 10,3%, enquanto 9,3% afirmaram preferir abrir o próprio negócio. Outros 6,6% disseram optar pela atuação como pessoa jurídica (PJ). O estudo também mostra que 20% não encontraram oportunidades que considerassem realmente atrativas.
Para a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, a preferência pelo emprego formal mostra que, mesmo em um cenário de maior flexibilização, a proteção social continua sendo um diferencial importante. A avaliação é de que o trabalhador brasileiro ainda enxerga valor concreto na segurança oferecida pelo vínculo formal.
Entre os mais jovens, essa preferência aparece de forma ainda mais forte. Entre os trabalhadores de 25 a 34 anos, 41,4% indicaram a CLT como modelo ideal. Já na faixa de 16 a 24 anos, o índice ficou em 38,1%. O dado sugere que, no início da trajetória profissional, a estabilidade continua sendo vista como um fator central.
A pesquisa também mostra que o trabalho por aplicativo é encarado, na maior parte dos casos, como complemento de renda, não como atividade principal. De acordo com o levantamento, apenas 30% dos que atuam nesse formato veem essa ocupação como sua principal fonte de sustento.
Outro dado que chama atenção é o nível de satisfação com o emprego atual. Segundo o estudo, 95% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com o trabalho que exercem atualmente. Desse total, 70% afirmaram estar muito satisfeitos. Já os que declararam insatisfação somam 4,6%, enquanto 1,6% se disseram muito insatisfeitos.
Essa percepção ajuda a explicar a baixa movimentação em busca de novas vagas. Apenas 20% afirmaram ter procurado outro emprego recentemente. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse percentual sobe para 35%, enquanto entre trabalhadores com mais de 60 anos cai para 6%.
O tempo de permanência no emprego também influencia esse comportamento. Entre aqueles com menos de um ano na função atual, 36,7% disseram ter buscado outra vaga. Já entre os que estão há mais de cinco anos no mesmo posto, esse índice recua para 9%.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI, e ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A pesquisa foi feita entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025, mas os dados só foram divulgados agora.
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