Política / Justiça
Auditor da Receita admite acesso “acidental” a dados de familiar de ministro do STF em depoimento à PF
Quatro servidores são investigados por suposto acesso irregular a informações fiscais de ministros da Corte e parentes
18/02/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O auditor fiscal da Receita Federal Ricardo Mansano de Moraes afirmou à Polícia Federal (PF), em depoimento preliminar, que acessou de forma “acidental” informações fiscais relacionadas a uma enteada do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o servidor, a consulta teria ocorrido por “infelicidade”, sem intenção de violar o sigilo.
Mansano é um dos alvos de inquérito que investiga supostos acessos ilegais a dados fiscais de ministros do STF e de familiares, realizados sem autorização e fora de justificativa funcional.
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, o auditor foi alvo de mandado de busca e apreensão, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, foi afastado das funções públicas e está proibido de deixar a cidade onde reside. Também deverá cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana, além de ter o passaporte apreendido.
Atualmente, Mansano está lotado na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto (SP).
Entre os investigados, Mansano é o servidor com maior remuneração. Em dezembro de 2025, conforme registros oficiais, ele recebeu R$ 51 mil, valor que incluiu indenizações e gratificações. O salário base atual é de R$ 38.261,86.
Ele ingressou no serviço público em 27 de novembro de 1995 e, ao longo da carreira, atuou no Ministério da Fazenda e no Ministério da Economia. Seu nome consta em diversas publicações no Diário Oficial da União (DOU) desde a década de 1990, em atos administrativos de nomeação e convocação.
Além de Mansano, outros três servidores são investigados no mesmo inquérito:
Luiz Antônio Martins Nunes, técnico do Serpro desde 1981, com remuneração mensal de R$ 12.778,82;
Luciano Pery Santos Nascimento, técnico do Seguro Social, lotado na Delegacia da Receita Federal em Salvador, com salário de R$ 11.517,49;
Ruth Machado dos Santos, técnica do Seguro Social na Delegacia da Receita Federal em Santos (SP), ingressou no órgão em abril de 1994 e recebe R$ 11.128,16 mensais.
A investigação busca apurar se houve uso indevido das credenciais funcionais para consulta de dados protegidos por sigilo fiscal, o que pode configurar infração administrativa e eventual crime.
O inquérito segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no STF.
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