Cultura / Política
Acadêmicos de Niterói é rebaixada no Grupo Especial após desfile sobre trajetória de Lula
Escola estreante recebeu apenas duas notas 10 e enfrentou questionamentos judiciais antes da apresentação na Sapucaí
18/02/2026
16:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro após ficar na última colocação na apuração realizada nesta quarta-feira (18). Estreante na elite das escolas de samba, a agremiação obteve apenas duas notas 10 ao longo da avaliação dos jurados.
O enredo apresentado, intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, retratou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância no Nordeste, passando pela migração para São Paulo, atuação como torneiro mecânico e líder sindical, até a Presidência da República.
Durante a apresentação na Marquês de Sapucaí, a comissão de frente levou à avenida uma representação da rampa do Palácio do Planalto, remetendo à última posse presidencial. Atores e bailarinos encenaram personagens como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, além dos ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas representou o agreste pernambucano, região onde Lula nasceu. Em outro momento do desfile, houve referências críticas às políticas sociais do governo Bolsonaro e à condução da pandemia de Covid-19. Também foi feita menção à prisão do ex-presidente.
A escola enfrentou problemas técnicos na dispersão. Alegorias ficaram presas na saída da avenida, gerando atraso e tumulto no encerramento da apresentação. A escola seguinte, Imperatriz Leopoldinense, afirmou ter sido prejudicada pelo incidente.
Antes do desfile, o enredo foi alvo de ao menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União (TCU), que tentaram impedir a apresentação ou suspender repasses de recursos públicos.
As ações alegavam que trechos do samba-enredo e da encenação poderiam configurar propaganda eleitoral antecipada, já que a legislação permite esse tipo de manifestação apenas a partir de 16 de agosto do ano eleitoral.
O caso foi analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, por unanimidade, negou pedido liminar para barrar o desfile, sob o argumento de que a medida poderia configurar censura prévia. No entanto, ministros destacaram que eventuais irregularidades poderiam ser avaliadas posteriormente.
Após o julgamento, o Partido dos Trabalhadores (PT) orientou seus integrantes a evitar atos que pudessem ser interpretados como promoção eleitoral antecipada.
O governo federal negou irregularidades, afirmou que não participou da escolha do enredo e destacou que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente. Após o desfile, o presidente Lula elogiou a apresentação nas redes sociais.
A oposição criticou o conteúdo do desfile e anunciou novas medidas judiciais, reiterando alegações de promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.
Parlamentares, especialmente ligados à bancada evangélica, também questionaram a ala denominada “Neoconservadores em conserva”, que trazia representações simbólicas de famílias dentro de latas, algumas com referências religiosas.
Na segunda-feira (16), a Acadêmicos de Niterói divulgou nota pública afirmando ter sofrido perseguição durante o processo de preparação para o carnaval em razão do enredo escolhido.
Com o resultado, a escola retorna ao grupo de acesso na próxima temporada, encerrando sua primeira participação na elite do carnaval carioca.
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