Política / Eleições 2026
Edinho Silva acusa Flávio Bolsonaro de repetir estratégia de Jair contra urnas eletrônicas
Presidente do PT criticou reunião do senador com diplomatas e informou que o partido avalia medidas judiciais; pré-campanha afirma confiar no sistema eleitoral
22/07/2026
11:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, acusou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de reproduzir a estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, ao levantar questionamentos relacionados às urnas eletrônicas diante de representantes estrangeiros.
A reação ocorreu depois de Flávio participar de um encontro com diplomatas em Brasília e pedir que outros países enviem o maior número possível de observadores para acompanhar as eleições brasileiras de outubro. Segundo Edinho, a iniciativa busca colocar sob suspeita o sistema eleitoral pelo qual o senador e outros integrantes de sua família foram eleitos.
“Flávio Bolsonaro prova que tem a mesma cultura golpista do pai, Jair Bolsonaro, e adota os mesmos métodos utilizados nas eleições de 2022”, afirmou o presidente petista em nota divulgada nesta quarta-feira, 22 de julho.
Edinho associou a manifestação do senador ao processo de contestação do sistema eleitoral promovido durante o governo anterior. Para ele, a tentativa de desacreditar as urnas pode gerar consequências políticas e institucionais semelhantes às registradas após as eleições de 2022.
“Sabemos quais são as consequências dessa ofensiva antidemocrática. Tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia. E o resultado pode ser gravíssimo, como a história recente demonstrou”, declarou.
O dirigente também informou que o PT analisa possíveis providências judiciais contra Flávio. A legenda sustenta que declarações consideradas falsas ou sem comprovação sobre o sistema de votação não podem ser toleradas durante a disputa presidencial.
Segundo a nota, o partido manterá a defesa das urnas eletrônicas e das instituições responsáveis pela realização do pleito.
Durante o encontro organizado pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, Flávio Bolsonaro afirmou que não estava questionando diretamente a integridade das eleições brasileiras.
O senador, no entanto, pediu aos embaixadores que seus países encaminhassem observadores com conhecimento técnico para acompanhar o processo eleitoral.
“Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição”, disse.
Na mesma apresentação, Flávio mencionou um documento atribuído à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre suspeitas de manipulação nas eleições venezuelanas de 2010.
Ele citou a empresa venezuelana Smartmatic e afirmou que máquinas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem dos equipamentos associados à companhia.
A afirmação sobre a origem das urnas brasileiras contraria esclarecimentos anteriores da Justiça Eleitoral. Segundo informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Smartmatic nunca forneceu urnas ou programas responsáveis pela operação dos equipamentos utilizados nas eleições do país.
A empresa já prestou serviços específicos de transmissão de dados, voz e suporte técnico, mas não participou do desenvolvimento nem do funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras. Os equipamentos são fabricados por empresas escolhidas em licitações conduzidas pela Justiça Eleitoral.
Após a repercussão, a equipe de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que a fala do senador foi retirada de contexto e que ele mantém confiança integral no sistema eleitoral brasileiro.
O comunicado sustenta que a presença de missões internacionais amplia a transparência, a integridade e a confiança pública no processo de votação. A manifestação foi assinada por Flávio, pelo coordenador-geral da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri.
A equipe, entretanto, não apresentou explicação detalhada sobre a declaração que relacionou as urnas brasileiras à Smartmatic.
O episódio amplia a disputa política em torno da segurança do sistema eletrônico de votação e indica que o tema deverá permanecer no centro da campanha presidencial de 2026.
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