Mundo / Justiça
Maduro volta a tribunal de Nova York e prepara contestação contra captura pelos EUA
Ex-presidente venezuelano e Cilia Flores respondem por tráfico de drogas; defesa questionará operação militar realizada em Caracas
22/07/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro voltou à Justiça Federal de Nova York nesta quarta-feira, 22 de julho, para uma audiência preliminar no processo em que responde a acusações de narcotráfico. A defesa pretende contestar a legalidade da operação militar norte-americana que o retirou de Caracas e o levou aos Estados Unidos no início do ano.
Maduro, de 63 anos, e a mulher, Cilia Flores, de 69, estão presos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn desde que foram capturados por forças especiais dos Estados Unidos durante uma operação realizada em 3 de janeiro de 2026, na capital venezuelana.
Os dois se declararam inocentes. Caso sejam condenados pelas acusações mais graves, poderão receber penas que chegam à prisão perpétua. O processo tramita perante o juiz federal Alvin K. Hellerstein, em Manhattan.
Promotores norte-americanos acusam Maduro de participar de uma estrutura formada por autoridades venezuelanas, integrantes das forças de segurança e organizações criminosas para facilitar o envio de cocaína aos Estados Unidos.
A acusação sustenta que o antigo governo venezuelano teria oferecido proteção política e logística a traficantes em troca de vantagens financeiras. O processo inclui acusações relacionadas a conspiração para importar cocaína, narcoterrorismo e uso de armas.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o processo criminal contra Maduro foi aberto originalmente em 2020. A administração do presidente Donald Trump descreve a operação realizada na Venezuela como uma ação de aplicação da lei apoiada por forças militares.
Maduro sustenta que continua sendo o presidente constitucional da Venezuela e afirma ter sido vítima de sequestro. Durante a primeira audiência, em janeiro, declarou em espanhol:
“Não sou culpado. Sou um homem decente, o presidente constitucional do meu país.” (
O advogado Barry Pollack informou que pretende questionar o que classificou como uma “abdução militar”. A defesa argumenta que a forma como Maduro foi retirado da Venezuela violou normas internacionais e deverá discutir também uma possível imunidade atribuída a chefes de Estado.
Maduro também se apresenta como prisioneiro de guerra. O governo norte-americano rejeita essa interpretação e afirma que ele foi detido para responder a acusações criminais já existentes na Justiça dos Estados Unidos.
A audiência desta quarta-feira deve tratar principalmente do cronograma do processo e dos prazos para apresentação das manifestações da acusação e da defesa.
Em documento encaminhado ao tribunal, os advogados de Maduro e o Departamento de Justiça propuseram que o julgamento seja iniciado em junho de 2027. A data definitiva, no entanto, ainda dependerá de decisão do juiz Alvin Hellerstein.
A defesa deverá apresentar até 2 de setembro um pedido para encerrar o processo com base na alegação de imunidade soberana. Outros questionamentos poderão ser formulados após a análise de provas classificadas pelo governo norte-americano.
Maduro e Cilia Flores não solicitaram liberdade mediante pagamento de fiança e permanecem sob custódia federal no Brooklyn. O complexo prisional abriga réus que aguardam julgamento em processos federais de Nova York. (
Além de Maduro, Cilia Flores também é acusada de envolvimento em negociações relacionadas ao tráfico de drogas e de ter participado de reuniões com integrantes de organizações criminosas, conforme a denúncia apresentada pelos promotores.
O caso deverá produzir uma disputa jurídica sobre os limites da atuação dos Estados Unidos fora de seu território, a validade da captura de um antigo chefe de Estado e a possibilidade de utilização de recursos do governo venezuelano para financiar a defesa.
Enquanto o julgamento não é marcado, Maduro e Flores continuarão presos nos Estados Unidos, e a defesa concentrará seus primeiros esforços na tentativa de invalidar o processo antes que as acusações sejam submetidas a um júri.
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