Política / Justiça
Ciro Nogueira troca equipe de defesa após operação da PF no caso Banco Master
Escritório que representava o senador informou saída em comum acordo; parlamentar é investigado na Operação Compliance Zero
11/05/2026
11:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, trocou a equipe de advogados que o representava no caso envolvendo o Banco Master. A mudança foi comunicada nesta segunda-feira, 11 de maio, quatro dias depois de o parlamentar ser alvo de busca e apreensão determinada no âmbito da Operação Compliance Zero.
O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, que fazia a defesa do senador, informou em nota que a decisão foi tomada em comum acordo com o parlamentar. A banca é ligada ao advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, diz a nota divulgada pela defesa.
A manifestação foi assinada por Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França. Até o momento, não houve detalhamento público sobre os motivos da saída do escritório nem confirmação oficial sobre quem assumirá a defesa de Ciro Nogueira no processo.
A alteração na defesa chama atenção pelo momento em que ocorre. Na quinta-feira, 7 de maio, a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional relacionados ao Banco Master.
Entre os alvos da operação estava Ciro Nogueira, que teve mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços ligados a ele no Distrito Federal e no Piauí. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação também alcançou investigados em São Paulo e Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, a decisão judicial autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores de até R$ 18,85 milhões.
De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Federal apura indícios de que Ciro Nogueira teria atuado no Congresso em favor de interesses do Banco Master. Um dos pontos sob análise envolve uma emenda legislativa relacionada à ampliação da cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
A apuração também cita o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como figura central no caso. Na nova fase da operação, o primo dele, Felipe Cançado Vorcaro, foi preso em Minas Gerais, conforme os relatos sobre a investigação.
As suspeitas ainda estão em fase de investigação. Ciro Nogueira nega irregularidades. No dia da operação, a defesa então constituída afirmou que repudiava qualquer ilação de ilicitude sobre as condutas do senador, especialmente em sua atuação parlamentar.
Embora mudanças de defesa possam ocorrer por diferentes razões, a substituição da equipe em meio a uma investigação de grande repercussão costuma indicar uma reavaliação da estratégia jurídica.
No caso de Ciro Nogueira, a troca ocorre em uma etapa sensível da apuração, após o cumprimento de mandados de busca e apreensão e diante da possibilidade de novos desdobramentos no STF e na Polícia Federal.
Até agora, nem o senador nem o escritório detalharam publicamente se a mudança tem relação com a condução da defesa, com a análise do material apreendido ou com eventual reorganização da atuação jurídica nas próximas fases do processo.
A entrada de Ciro Nogueira no foco da Operação Compliance Zero ampliou a dimensão política do caso Banco Master. O senador é uma das principais lideranças do Progressistas, foi ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mantém influência no Congresso Nacional.
A investigação sobre o Banco Master já vinha avançando sobre suspeitas de irregularidades financeiras. Com a nova fase, a apuração passou a mirar possíveis conexões entre interesses do banco e agentes políticos.
O caso segue sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal, com relatoria do ministro André Mendonça, responsável por autorizar as medidas cautelares. A expectativa agora é pela definição da nova defesa do senador e pelos próximos atos da investigação.
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