Política / Justiça
Lula fala em reciprocidade após EUA pedirem saída de delegado da PF ligado ao caso Ramagem
Presidente reagiu durante viagem à Alemanha e disse que o Brasil não aceitará ingerência após medida adotada por órgão do governo norte-americano
21/04/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade após o governo dos Estados Unidos pedir a saída de um delegado da Polícia Federal supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano. A declaração foi dada a jornalistas durante viagem oficial à Alemanha.
Ao comentar o episódio, Lula disse que foi informado sobre o caso pela manhã e afirmou que, se ficar comprovado abuso por parte das autoridades americanas, o governo brasileiro responderá na mesma medida. Segundo o presidente, o país não aceitará interferência externa nem excesso de autoridade contra agentes brasileiros.
A reação do Palácio do Planalto ocorreu depois de o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informar, na segunda-feira (20), que havia solicitado a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a publicação não cite o nome do servidor, a mensagem indica que se trata de um integrante da Polícia Federal relacionado ao caso envolvendo Alexandre Ramagem.
Na postagem, o órgão americano afirmou que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração dos Estados Unidos para contornar pedidos formais de extradição ou ampliar perseguições políticas em território norte-americano. A manifestação foi publicada na rede social X e elevou a tensão diplomática em torno do caso.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro, foi preso em Orlando, na Flórida, pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, segundo informou a Polícia Federal em abril. A corporação brasileira afirmou que a detenção ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre os dois países.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo da trama golpista, Ramagem é apontado como foragido da Justiça brasileira. Segundo informações oficiais, ele deixou o Brasil após a condenação, perdeu o mandato parlamentar e passou a viver nos Estados Unidos.
Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio do pedido de extradição de Ramagem aos Estados Unidos. Depois disso, o Ministério da Justiça formalizou a solicitação, entregue pela embaixada brasileira em Washington ao Departamento de Estado no fim daquele mês.
O episódio agora amplia a crise diplomática em torno do caso e insere um novo componente político na disputa entre os dois países, ao envolver diretamente a atuação de autoridades de imigração, a cooperação policial internacional e a reação pública do presidente brasileiro.
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