Política / Eleitoral
Kassab defende voto distrital e diz que proposta pode ser aprovada ainda em 2026
Presidente do PSD afirma que mudança valeria a partir de 2030 e critica modelo de agências reguladoras e volume de emendas parlamentares
09/02/2026
12:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que a legenda mantém posição firme em defesa da adoção do voto distrital para eleições proporcionais no Brasil. Segundo ele, a proposta pode avançar no Congresso Nacional ainda neste ano, com vigência prevista para 2030, sem impacto nas próximas eleições.
Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Kassab declarou que a matéria deve ganhar impulso nas próximas semanas.
“É muito possível que, nos próximos dois meses, o presidente da Câmara, Hugo Motta, esteja compondo a comissão que vai encaminhar esse projeto. Não é difícil votar ou aprovar ainda neste ano, porque não afeta esta eleição. A vigência seria apenas a partir de 2030”, afirmou.
Atualmente, deputados federais, estaduais e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, que considera o desempenho dos partidos e das coligações na distribuição das vagas. No modelo distrital, o território seria dividido em distritos eleitorais, e o candidato mais votado em cada região conquistaria o mandato.
Para Kassab, o modelo atual compromete a relação entre eleitor e representante.
“Nós não abrimos mão do voto distrital. Há falta de legitimidade dos parlamentares, as pessoas muitas vezes nem lembram em quem votaram, e o eleito por uma região não retorna à base. O voto distrital melhora a fiscalização e fortalece a representação”, declarou.
O dirigente do PSD também defendeu mudanças no processo de indicação de dirigentes das agências reguladoras. Segundo ele, é necessário elevar o nível técnico das nomeações e reduzir interferências políticas.
Na avaliação de Kassab, essas instituições estariam excessivamente submetidas a interesses partidários, o que comprometeria a qualidade das concessões e a segurança regulatória.
Outro ponto abordado foi o volume de recursos destinados às emendas parlamentares. Kassab classificou o montante como excessivo e defendeu revisão do modelo.
“É uma excrescência. Não faz sentido ter R$ 70 bilhões destinados a emendas parlamentares. Com esse valor, seria possível construir, em São Paulo, duas linhas de metrô por ano”, afirmou.
Para ele, caso o mecanismo seja mantido, é necessário ampliar a transparência e vincular os recursos a programas estruturantes do governo federal.
A eventual criação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados é vista como passo decisivo para consolidar a proposta. Como a mudança não afetaria o pleito imediato, a tramitação pode ocorrer sem impacto no calendário eleitoral vigente.
O debate sobre o voto distrital volta ao centro da agenda política em meio a discussões mais amplas sobre reforma eleitoral e aprimoramento do sistema representativo brasileiro.
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