POLÍTICA
Áudios revelam envolvimento de Bolsonaro em trama golpista, aponta investigação da PF
Gravações inéditas detalham articulação de golpe de Estado para manter ex-presidente no poder
24/02/2025
09:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
Uma série de áudios inéditos obtidos pela Polícia Federal (PF) revelou os bastidores da tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo militares de alto escalão e aliados políticos. O material, divulgado pelo programa "Fantástico", da TV Globo, faz parte de uma investigação que analisou 255 milhões de mensagens extraídas de 1,2 mil dispositivos eletrônicos apreendidos.
Os conteúdos analisados indicam que a organização criminosa orquestrava um plano para instaurar uma ditadura no Brasil, impedindo a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Nos áudios, militares próximos a Bolsonaro discutem estratégias para mobilizar manifestações violentas, pressionar as Forças Armadas e impedir o avanço das instituições democráticas.
🔴 Tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, então lotado no Comando de Operações Terrestres do Exército (COTER), afirmou:
“A gente não sai das quatro linhas. Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair. Ou então eles vão continuar dominando a gente.”
🔴 Em outro trecho, Almeida orienta manifestantes a forçar uma invasão ao Congresso:
“O pessoal poderá fazer essa descida e ir atravancando mesmo. Porque a massa humana chegando lá, não tem PM que segure. Vai atropelar a grade e vai invadir. Depois não tira mais.”
🔴 O general Mario Fernandes, atualmente preso, pediu diretamente o apoio de Bolsonaro para impedir a ação da Polícia Federal contra os acampados:
“Se o presidente pudesse dar um input ali para o Ministério da Justiça, para segurar a PF. Eu estou tentando agir diretamente junto às Forças, mas pô, se tu pudesse pedir para o presidente ou para o gabinete do presidente atuar…”
🔴 Em um dos áudios, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid – que firmou acordo de delação premiada com a PF – confirma que Bolsonaro editou uma minuta de decreto golpista:
“Ele entende as consequências do que pode acontecer. Hoje ele mexeu naquele decreto, ele reduziu bastante, fez algo mais direto, objetivo e curto. E limitado, né?"
🔴 O coronel Bernardo Corrêa Netto relatou que Bolsonaro temia ser preso, o que justificaria sua hesitação para assinar o decreto:
“O presidente só faria (o decreto do golpe) se tivesse apoio das Forças Armadas, porque ele tá com medo de ser preso.”
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 18 de fevereiro, sob acusações de:
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou a denúncia após uma investigação detalhada da Polícia Federal, que resultou em um relatório de 884 páginas, contendo provas documentais e testemunhais.
Além de Bolsonaro, outros 39 investigados foram denunciados, incluindo:
📌 Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
📌 Almir Garnier Santos (ex-comandante da Marinha)
📌 Anderson Gustavo Torres (ex-ministro da Justiça)
📌 Augusto Heleno Ribeiro Pereira (ex-ministro do GSI)
📌 Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro)
📌 Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (ex-comandante do Exército)
📌 Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa)
O STF deve avaliar a denúncia e decidir se aceita a acusação. Caso isso ocorra, Bolsonaro e os demais envolvidos se tornarão réus e poderão enfrentar julgamento por crimes contra a democracia.
As novas revelações reforçam o avanço das investigações e colocam Bolsonaro e seus aliados no centro de uma das maiores crises políticas da história recente do Brasil.
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