Campo Grande (MS), Sábado, 25 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

PL oficializa Flávio Bolsonaro ao Planalto sem vice e com alianças indefinidas

Convenção em São Paulo terá Milei, Tarcísio e vídeo de Michelle; senador inicia campanha pressionado pelo afastamento do Centrão e pelo caso Banco Master

25/07/2026

07:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O Partido Liberal (PL) oficializa neste sábado, 25 de julho, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A convenção, realizada na Arena Pacaembu, em São Paulo, marca o início formal da campanha, mas ocorre sem a definição do candidato a vice e com dificuldades para atrair partidos de centro.

Escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para representar o grupo político na eleição de 2026, Flávio chega à disputa com o desafio de ampliar sua base para além do eleitorado bolsonarista. As negociações conduzidas nos últimos meses ainda não garantiram o apoio das principais legendas do chamado Centrão.

A ausência de uma coligação mais ampla reduz, até o momento, o tempo disponível para propaganda eleitoral e limita a estrutura partidária nos estados. O cenário também mantém em aberto a escolha do nome que completará a chapa presidencial.

Vaga de vice permanece aberta

O PL pretende utilizar a candidatura a vice-presidente como instrumento para fechar uma aliança antes do encerramento das convenções partidárias, em 5 de agosto.

Entre os nomes mencionados nas articulações está o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. A eventual indicação dependeria, no entanto, de um acordo nacional com a legenda.

Sem esse entendimento, cresce internamente a possibilidade de o PL disputar a eleição presidencial com uma chapa própria. Dirigentes do partido consideram essa alternativa menos vantajosa diante da estrutura política e regional dos adversários.

As dificuldades de articulação também aparecem nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado na sexta-feira apontou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% e Flávio Bolsonaro com 43% em uma simulação de segundo turno. 

Milei e Tarcísio participam da convenção

Para demonstrar força política, o evento contará com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os dois estão entre os principais convidados da convenção. 

Milei deverá discursar em apoio ao candidato do PL. Sua participação reforça a aproximação entre movimentos conservadores da América do Sul e amplia a projeção internacional do lançamento.

A presença de Tarcísio também tem peso na estratégia eleitoral. Antes da escolha de Flávio, o governador paulista era apontado por partidos de centro como uma alternativa competitiva à Presidência da República.

Flávio decidiu concentrar parte da estrutura de campanha em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e espera aumentar a participação do governador em agendas públicas nos próximos meses.

A relação entre os dois, porém, atravessou momentos de desgaste. Aliados do senador cobravam um envolvimento mais efetivo de Tarcísio na campanha, enquanto integrantes do Republicanos defendiam cautela antes da formalização das alianças.

Michelle participará por vídeo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não deverá comparecer presencialmente ao Pacaembu, mas a organização prevê a exibição de um vídeo com sua participação. A gravação será utilizada para transmitir uma imagem de unidade após o conflito público entre ela e Flávio. 

A tensão aumentou depois que Michelle afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado. O episódio preocupou a campanha porque a ex-primeira-dama mantém influência entre mulheres, evangélicos e setores mais tradicionais do eleitorado bolsonarista.

Na quinta-feira, 23 de julho, Flávio divulgou um pedido público de desculpas e reconheceu a importância de Michelle para o projeto eleitoral. Ela aceitou a manifestação e sinalizou uma reaproximação.

A campanha pretende ampliar sua presença entre o público feminino. Fernanda Bolsonaro, esposa do candidato, deverá discursar durante a convenção e participar de agendas nacionais ao lado de Daniella Marques.

Discurso terá homenagem ao pai

O primeiro pronunciamento de Flávio como candidato oficial deverá destacar o legado político de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por participação na tentativa de ruptura institucional.

Embora preserve a ligação com o ex-presidente, o senador busca construir uma imagem própria e ampliar o diálogo com eleitores moderados. A orientação interna é reduzir confrontos pessoais e concentrar a comunicação em assuntos como economia, segurança pública e custo de vida.

Flávio deverá defender a união das forças de oposição e apresentar sua candidatura como um projeto para o futuro. Também são esperadas críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição e atual líder das pesquisas.

Além do presidenciável e de Javier Milei, estão previstos pronunciamentos do senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da campanha, e de dirigentes nacionais da legenda.

Os organizadores recomendaram que militantes e apoiadores utilizem roupas azuis. O partido também lançará uma plataforma digital para cadastrar voluntários e distribuir materiais de mobilização durante a campanha.

União Progressista indica neutralidade

O distanciamento das principais legendas do Centrão deverá ser percebido no próprio evento. Os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do Progressistas, senador Ciro Nogueira, não devem participar da convenção.

Os dois partidos integram a federação União Progressista, inicialmente apontada como uma das possíveis bases da candidatura. Nos últimos meses, porém, as negociações perderam força e a tendência passou a ser de neutralidade nacional na corrida presidencial.

O desgaste com Ciro Nogueira aumentou após uma operação da Polícia Federal envolvendo suspeitas relacionadas ao Banco Master. Integrantes do PP afirmam que o dirigente esperava uma manifestação pública de solidariedade de Flávio.

Em Mato Grosso do Sul, contudo, a direção da União Progressista mantém diálogo com PL e Republicanos. O governador Eduardo Riedel (PP) confirmou apoio a Flávio Bolsonaro e participação na convenção em São Paulo, apesar da posição de neutralidade em discussão pela direção nacional.

Caso Banco Master amplia pressão

Além da dificuldade para construir alianças, a campanha acompanha os desdobramentos da investigação sobre os recursos destinados ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a investigar repasses ligados ao projeto. O procedimento inclui a atuação de Flávio na tentativa de obter recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. 

O senador reconheceu que procurou Vorcaro para tratar do financiamento, mas nega qualquer irregularidade. Segundo ele, a conversa envolveu uma iniciativa privada, sem oferta de vantagens públicas ou contrapartidas políticas.

Mensagens divulgadas anteriormente indicaram que Flávio solicitou recursos para viabilizar a produção cinematográfica. O episódio passou a ser explorado por adversários e provocou preocupação entre aliados quanto a possíveis impactos durante a campanha. 

Em transmissão pela internet, o candidato afirmou que não teme o inquérito e classificou as acusações como parte de uma perseguição política. A investigação ainda está em andamento e não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.

Campanha começa sob pressão

A convenção deste sábado deve confirmar Flávio Bolsonaro como o principal nome da oposição ligada ao ex-presidente, mas não encerra as dúvidas sobre a composição da chapa e a formação de palanques estaduais.

O PL continuará negociando com outros partidos até o encerramento do prazo das convenções. A prioridade é definir um vice que acrescente estrutura, tempo de propaganda e capacidade de diálogo com setores que não integram o núcleo bolsonarista.

O resultado dessas conversas terá impacto direto na estratégia eleitoral. Sem novos aliados, Flávio dependerá principalmente da estrutura do próprio PL, da mobilização dos apoiadores de Jair Bolsonaro e da tentativa de reduzir sua rejeição entre os eleitores de centro


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