Trabalho / Política
Jornada semanal de 44 horas deve cair para 40 horas em até um ano, afirma Hugo Motta
Presidente da Câmara diz que há consenso com o governo sobre fim da escala 6x1, redução da carga horária e manutenção dos salários
25/05/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas deverá ocorrer em até um ano após a eventual promulgação da PEC que trata do fim da escala 6x1.
A proposta ainda precisa ser analisada e votada por deputados e senadores, mas, segundo Motta, já há entendimento entre o Congresso Nacional e o governo federal sobre pontos considerados centrais no texto.
“Atende ao apelo da classe trabalhadora e também escuta o setor produtivo. Com isso, vamos garantir essa transição”, afirmou o presidente da Câmara.
De acordo com Hugo Motta, a diminuição da carga horária semanal será feita de forma gradual. A primeira mudança ocorreria 60 dias após a promulgação da PEC, quando a jornada passaria de 44 horas para 42 horas semanais.
A segunda etapa seria concluída um ano depois da promulgação, com a redução definitiva para 40 horas semanais.
A regra de transição apresentada pelo presidente da Câmara prevê:
60 dias após a promulgação: jornada reduzida de 44 horas para 42 horas semanais.
Um ano após a promulgação: jornada reduzida de 42 horas para 40 horas semanais.
A medida busca atender à demanda de trabalhadores pela diminuição da carga horária, ao mesmo tempo em que dá prazo para empresas, sindicatos e setores produtivos se adaptarem às novas regras.
Motta afirmou que há três pontos considerados “inegociáveis” e convergentes entre o governo e o Congresso no debate sobre a proposta. São eles: o fim da escala 6x1, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a manutenção dos salários, sem redução proporcional.
A escala 6x1 é o modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho e tem um dia de descanso. O tema ganhou força no debate político e sindical por envolver a qualidade de vida dos trabalhadores, a reorganização das jornadas e o impacto sobre diferentes setores da economia.
Segundo Motta, o texto deve equilibrar a reivindicação da classe trabalhadora com as preocupações do setor produtivo.
Antes de falar com jornalistas no Salão Verde da Câmara dos Deputados, Hugo Motta se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da proposta. Também participaram das articulações os ministros José Guimarães, das Relações Institucionais, e Luiz Marinho, do Trabalho, além do deputado federal Alencar Santana (PT-SP).
O relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), também se reuniu com Motta e Lula para discutir os prazos e o modelo de transição. O relatório deve ser apresentado ainda nesta segunda-feira, 25 de maio.
O governo defende o fim imediato da escala 6x1, mas demonstrou disposição para negociar a implementação da redução da jornada.
O relatório de Leo Prates deve prever prazo de 60 dias para atualização das regras das convenções coletivas, que são acordos firmados entre empregadores e sindicatos.
Segundo o relator, os acordos individuais não serão permitidos para tratar da nova jornada. Com isso, as convenções coletivas passarão a ser o principal instrumento de negociação entre trabalhadores e empregadores.
Prates também informou que pretende estabelecer prazo de 60 ou 90 dias para a atualização de 14 projetos de lei que tratam de regras específicas para determinadas categorias profissionais.
A intenção, segundo ele, é aprovar todas as normas complementares até o fim de 2026.
A expectativa é que a proposta seja votada em plenário no dia 27 de maio de 2026. Caso haja pedido de vista, a votação poderá ser adiada para o dia seguinte.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto precisa passar por votação em dois turnos na Câmara e no Senado, com apoio mínimo de três quintos dos parlamentares em cada Casa.
Se aprovada, a mudança terá impacto direto sobre a organização do trabalho no país, especialmente em setores que funcionam com escalas contínuas, como comércio, serviços, indústria, saúde, segurança, transporte e alimentação.
A discussão agora deve se concentrar nos prazos de adaptação, nas regras para categorias específicas e no formato das negociações coletivas que irão orientar a transição para a nova jornada semanal.
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