Política / Justiça
Ministros do STF suspeitam de gravação clandestina em sessão reservada sobre saída de Toffoli
Relatos publicados com falas literais geram desconforto na Corte; magistrado nega ter feito registro
13/02/2026
13:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestaram perplexidade após a divulgação de trechos literais de uma reunião reservada realizada na quinta-feira (12), que culminou na saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do processo envolvendo o Banco Master.
A suspeita levantada por integrantes da Corte é de que o encontro, classificado como sessão sigilosa, possa ter sido gravado clandestinamente. A hipótese surgiu após a publicação, por veículo de imprensa, de falas reproduzidas com elevado grau de precisão.
Procurado, Dias Toffoli negou ter realizado qualquer registro ou compartilhado conteúdo da reunião. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou. O ministro levantou ainda a possibilidade de que eventual gravação possa ter sido feita por terceiros, inclusive do setor técnico.
Magistrados consideram a situação inédita e relatam desconforto institucional. Avaliam que a divulgação parcial dos diálogos, com trechos favoráveis a Toffoli, não refletiria integralmente a complexidade das discussões ocorridas.
O encontro foi convocado pelo presidente do STF, Luiz Edson Fachin, após a Polícia Federal encaminhar relatório que mencionava o nome de Toffoli em investigação relacionada ao Banco Master. O documento foi apresentado aos ministros antes da decisão pela redistribuição do processo.
Durante a reunião, segundo os trechos divulgados, ministros teriam manifestado críticas à atuação da Polícia Federal e debatido os impactos institucionais do caso.
Entre as falas atribuídas aos ministros estão declarações de Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino, com posicionamentos que variaram entre apoio ao colega e preocupação com a imagem da Corte.
Apesar das manifestações favoráveis, o entendimento final foi de que a saída de Toffoli da relatoria seria a medida mais adequada para preservar a institucionalidade.
A suspeita de gravação sem consentimento é vista como fator de desgaste interno. Um integrante da Corte avalia que, caso confirmada, a prática representaria quebra de confiança entre os ministros.
O episódio ocorre em meio à repercussão política do caso Master e amplia o ambiente de tensão institucional no STF, que agora lida não apenas com o mérito do processo, mas também com questionamentos sobre a segurança e confidencialidade de suas deliberações internas.
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