Política Internacional
Após Venezuela, Trump ameaça anexar Groenlândia e sugere ação militar contra a Colômbia
Declarações do presidente dos EUA ampliam tensão internacional e provocam reação de líderes europeus e latino-americanos
05/01/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Um dia após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a adotar um discurso agressivo no cenário internacional. Neste domingo (4), Trump ameaçou anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugeriu uma ação militar contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu com firmeza às declarações do presidente norte-americano e afirmou que os Estados Unidos não têm qualquer direito de anexar territórios do Reino da Dinamarca.
“Tenho que dizer isso muito diretamente aos Estados Unidos: não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre a necessidade de os EUA tomarem posse da Groenlândia”, declarou Frederiksen.
A premiê destacou ainda que a Dinamarca integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e está protegida pela cláusula de defesa coletiva da aliança, liderada pelos próprios EUA.
“Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia. Além disso, investimos significativamente na segurança do Ártico”, completou.
Frederiksen encerrou o pronunciamento pedindo o fim das ameaças.
“Insisto veementemente para que os EUA cessem as ameaças contra um aliado histórico e contra um povo que já deixou claro que não está à venda.”
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também repudiou as declarações de Trump.
“Quando o presidente dos Estados Unidos diz que ‘precisamos da Groenlândia’ e nos associa à Venezuela e a uma intervenção militar, isso não é apenas errado, é profundamente desrespeitoso. Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, afirmou.
Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou que Washington “precisa” da Groenlândia por razões estratégicas.
“Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar a costa, verá navios russos e chineses por toda parte”, declarou.
Segundo o presidente norte-americano, o interesse não estaria ligado a recursos naturais, como petróleo ou minerais, mas ao posicionamento geopolítico do território no Ártico. As ameaças de anexação da Groenlândia vêm sendo reiteradas desde o início do atual mandato de Trump, em janeiro de 2025.
As declarações foram rejeitadas por outros líderes europeus, incluindo chefes de governo da Finlândia, Noruega e Suécia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir o futuro do território.
“A Dinamarca é uma aliada próxima na Europa, membro da Otan, e é fundamental que o futuro da Groenlândia seja decidido exclusivamente pela própria Groenlândia e pelo Reino da Dinamarca”, disse Starmer à BBC.
Além da Groenlândia, Trump também mencionou a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro, crítico das políticas dos EUA para a América Latina.
“A Colômbia está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos. Isso não vai continuar por muito tempo”, afirmou Trump, ao dizer que uma ação militar “parece boa”.
O presidente colombiano reagiu às acusações e negou qualquer envolvimento com o narcotráfico.
“Não sou ilegítimo nem traficante de drogas. Meu único patrimônio é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos”, afirmou Petro.
Gustavo Petro também fez um apelo à população colombiana para defender a soberania do país.
“Tenho enorme fé no meu povo. Pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A ordem às forças de segurança não é atirar contra o povo, mas contra invasores”, completou.
As declarações de Trump ampliam o clima de instabilidade diplomática global, com reflexos diretos nas relações dos Estados Unidos com aliados europeus e países da América Latina.
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