MUNDO
Tribunal Supremo da Venezuela declara Maduro vencedor e proíbe divulgação das Atas
22/08/2024
13:31
DA REDAÇÃO
Especialistas da Suprema Corte da Venezuela validando atas das eleições
O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela (TSJ), a mais alta corte do país, declarou nesta quinta-feira (22) a vitória do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nas eleições realizadas em 28 de julho. Além disso, a sentença proibiu a divulgação das atas eleitorais e acusou o candidato da oposição, Edmundo González, de desacato à Justiça, o que o sujeita a possíveis sanções.
A decisão da Corte, amplamente vista como aliada do chavismo, foi tomada 25 dias após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) — controlado por um aliado de Maduro — anunciar a vitória do presidente. A oposição contestou a decisão e a legitimidade do tribunal, alegando manipulação do processo eleitoral.
Edmundo González, candidato oposicionista, manifestou-se nas redes sociais, publicando uma montagem com a palavra "nula" sobre a sentença do TSJ. Ele reafirmou que "a soberania reside intransferivelmente no povo".
Antes da sentença, o Conselho de Direitos Humanos da ONU expressou preocupações sobre a falta de independência e imparcialidade tanto do TSJ quanto do CNE. A sentença foi baseada em uma auditoria das atas eleitorais, solicitada por Maduro após a oposição e a comunidade internacional questionarem a transparência do processo.
O tribunal também determinou que todo o material eleitoral, incluindo as atas, ficará sob seu controle e que a decisão é irreversível, sem possibilidade de recurso. Aqueles que contestarem a sentença serão impedidos de concorrer nas próximas eleições.
Sanções a Edmundo González
O TSJ considerou que Edmundo González desacatou a Justiça ao não comparecer a audiências convocadas pelo tribunal, embora o candidato tenha alegado que não foi formalmente notificado e temia ser preso. A juíza Caryslia Rodríguez, que leu a sentença, não especificou quais sanções serão aplicadas a González.
O tribunal também afirmou que houve um ataque cibernético ao sistema de registro de votos, o que teria atrasado a divulgação das atas. No entanto, o Centro Carter, que observou as eleições, não encontrou indícios de tal ataque.
Reações Internacionais
A oposição venezuelana e diversos governos ao redor do mundo não reconheceram a decisão do TSJ e continuam pressionando pela divulgação das atas eleitorais. Em uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, 30 ex-chefes de Estado acusaram Maduro de usar seu controle sobre as autoridades venezuelanas para se manter no poder.
O documento, assinado por líderes como Álvaro Uribe, da Colômbia, Guillermo Lasso, do Equador, e Maurício Macri, da Argentina, elogiou a decisão de Biden de não reconhecer a vitória de Maduro e rejeitar a proposta de um novo pleito, ventilada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoiada por Gustavo Petro, da Colômbia.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) também aprovou uma resolução exigindo a publicação das atas eleitorais e, juntamente com a União Europeia e 21 países, emitiu uma declaração conjunta pedindo transparência no processo eleitoral venezuelano.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Lula reúne ministros, chefe da PGR, diretor da PF e comandantes das Forças Armadas em Brasília
Leia Mais
Motta e Alcolumbre evitam avançar com CPI sobre caso Banco Master no Congresso
Leia Mais
Influenciadora chinesa morre após passar mal durante transmissão ao vivo nas redes sociais
Leia Mais
Discussão entre Ana Paula Renault e Jonas Sulzbach no BBB 26 envolve provocações e comentários sobre fetiches
Municípios