Campo Grande (MS), Terça-feira, 09 de Junho de 2026

Política / Eleitoral

Pedido de vista suspende julgamento no TSE sobre pesquisa envolvendo Flávio Bolsonaro

Ministra Estela Aranha pediu mais prazo para analisar decisão de Nunes Marques que barrou levantamento da AtlasIntel questionado pelo PL

09/06/2026

19:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi interrompido nesta terça-feira (9) após pedido de vista da ministra Estela Aranha. A análise havia começado com voto do relator e presidente da Corte, ministro Nunes Marques, pela manutenção da liminar que suspendeu a divulgação do levantamento.

A decisão contestada foi tomada por Nunes Marques a pedido do Partido Liberal (PL). O partido questionou a metodologia da pesquisa e alegou que o questionário poderia ter induzido os entrevistados a formar percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro, especialmente após a divulgação de informações envolvendo o senador, o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao votar pela manutenção da suspensão, Nunes Marques afirmou haver indícios relevantes de comprometimento da metodologia adotada pela AtlasIntel. Segundo o ministro, o caso não se limita a uma simples divergência técnica sobre critérios de pesquisa, mas envolve a possibilidade de uso do questionário como instrumento de indução dos entrevistados.

O relator apontou que, após analisar outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, não identificou questionários com estrutura semelhante nem uso de áudios, como teria ocorrido no levantamento impugnado. Para o ministro, esses elementos reforçam a necessidade de manter a liminar até o julgamento definitivo do caso.

Com o pedido de vista, a ministra Estela Aranha terá prazo de até 90 dias para devolver o processo ao plenário. Enquanto isso, a decisão liminar de Nunes Marques continua válida.

Durante a sessão, a defesa da AtlasIntel afirmou que a contestação do PL tem motivação política. O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra sustentou que a representação não demonstrou falha metodológica concreta, mas apenas discordância em relação ao impacto político de fatos públicos envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo o defensor, o partido não apresentou prova de “contaminação cognitiva” dos entrevistados. Para a AtlasIntel, a alegação de prejuízo ao senador teria sido presumida a partir da leitura de que o candidato foi afetado negativamente pelo contexto político abordado no levantamento.

Já a advogada do PL, Maria Claudia Bucchianeri, defendeu que a pesquisa apresentou falhas graves, incluindo uso de técnicas de indução, enquadramento negativo e omissão de material que teria sido apresentado aos entrevistados. Ela afirmou que Flávio Bolsonaro teria sido submetido a perguntas relacionadas ao caso Banco Master antes da avaliação sobre sua imagem pública.

A defesa do partido argumentou que outros nomes avaliados na pesquisa não teriam sido expostos ao mesmo tipo de contextualização negativa antes da pergunta sobre percepção positiva ou negativa. Para o PL, essa sequência teria comprometido a neutralidade do levantamento.

A pesquisa da AtlasIntel divulgada em abril apontava empate técnico em um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Naquele cenário, o senador aparecia com 47,8% das intenções de voto, enquanto o presidente registrava 47,5%.

No levantamento divulgado em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. O resultado indicou queda de aproximadamente seis pontos percentuais para o senador entre uma pesquisa e outra.

Ao acionar o TSE, o Partido Liberal alegou divulgação de pesquisa fraudulenta, questionou a metodologia adotada e sustentou que o questionário teria sido estruturado para influenciar a percepção dos entrevistados. O mérito do caso ainda será julgado pela Corte Eleitoral.


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