Política / Justiça
Cármen Lúcia admite tensão no STF em meio ao caso Master e afirma: “Eu não faço nada errado”
Ministra reconhece clima de desconfiança em torno da Corte, defende mais transparência e evita falar em nome de todo o Supremo durante palestra em São Paulo
13/04/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, que a Corte vive um momento de tensão e questionamento público em meio às repercussões do caso Banco Master. Durante palestra na Fundação FHC, em São Paulo, a magistrada afirmou que não poderia falar em nome de todo o tribunal, mas fez questão de defender a própria conduta. “Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”, declarou. Em seguida, reforçou: “Eu não faço nada errado”.
Na fala, Cármen Lúcia disse que o Brasil atravessa um ambiente de desconfiança generalizada em relação às instituições e que esse cenário ajuda a explicar parte da crise de imagem enfrentada pelo Supremo. Segundo a ministra, o tribunal precisa mostrar à população que está ali para servir e deve dar explicações mais claras sobre a atuação de seus integrantes, especialmente fora de Brasília.
A magistrada também criticou o excesso de processos submetidos ao STF e afirmou que a dinâmica atual da Corte não pode permanecer como está. Para ela, há uma sobrecarga de atribuições, num contexto em que novas questões, impulsionadas inclusive pelas redes sociais e pelas transformações tecnológicas, chegam ao Judiciário sem respostas prontas.
Ao comentar o ambiente interno do Supremo, Cármen Lúcia reconheceu que há uma agudização de crises e um momento de questionamento dentro da Corte. Ela também mencionou a dificuldade de exercer a presidência do tribunal, observando que não se trata de uma função simples e que muitas vezes as soluções não são óbvias. Segundo a ministra, o trabalho no STF é acompanhado de críticas duras, inclusive de caráter pessoal.
As declarações acontecem em meio à repercussão do caso Banco Master, que elevou a pressão sobre o Supremo e expôs relatos de desconforto entre ministros. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que o episódio ajudou a aprofundar divisões internas na Corte, num momento em que o tribunal volta a ser cobrado por mais previsibilidade, transparência e coesão institucional.
Nesse cenário, a fala de Cármen Lúcia foi interpretada como uma tentativa de marcar posição pessoal diante da crise de confiança que atinge o Judiciário. Sem endossar o comportamento de colegas nem atacar diretamente outros ministros, ela buscou separar sua atuação individual das críticas mais amplas dirigidas ao Supremo.
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