Política / Justiça
Exército prende três militares condenados no núcleo da desinformação da trama golpista
Decisão atinge integrantes do núcleo 4 condenado pelo STF; outros dois réus seguem foragidos no exterior e agente da PF já estava preso desde 2024
10/04/2026
07:00
DA REDAÇÃO
O Exército Brasileiro prendeu, na manhã desta sexta-feira, 10 de abril, três militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado núcleo 4 da trama golpista. A ordem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte.
Foram presos o major da reserva Ângelo Martins Denicoli, detido em Vila Velha (ES), além do tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida e do subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues, recolhidos em Brasília. Segundo a apuração, os dois últimos devem cumprir a pena no Batalhão de Polícia do Exército da capital federal, enquanto Denicoli ficará sob custódia em unidade militar no Espírito Santo.
Entre os condenados do núcleo, o coronel Reginaldo Vieira de Abreu está foragido, assim como Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, que já havia sido apontado anteriormente como não localizado pelas autoridades. O agente da Polícia Federal Marcelo Araújo Bormevet, por sua vez, já estava preso desde 2024 e agora passa ao cumprimento definitivo da pena.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo integrava o núcleo da desinformação da organização criminosa investigada por tentativa de golpe. A acusação sustenta que os réus utilizaram estruturas do Estado, inclusive recursos ligados à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para espionar adversários políticos, produzir relatórios falsos sobre as urnas eletrônicas e disseminar notícias falsas contra o processo eleitoral, instituições democráticas e autoridades.
Na condenação, a Primeira Turma do STF concluiu que o núcleo atuou de forma coordenada para acirrar os ânimos de apoiadores, atacar o sistema eleitoral e criar instabilidade institucional com o objetivo de preparar o terreno para uma ruptura democrática. O julgamento ocorreu em 21 de outubro de 2025, quando os sete réus foram condenados por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
As penas definidas pelo STF variam de 7 anos e 6 meses a 17 anos de prisão. Ângelo Denicoli recebeu a maior punição, com 17 anos em regime inicial fechado. Reginaldo Vieira de Abreu foi condenado a 15 anos e 6 meses; Marcelo Bormevet, a 14 anos e 6 meses; Giancarlo Gomes Rodrigues, a 14 anos; Ailton Gonçalves Moraes Barros e Guilherme Marques de Almeida, a 13 anos e 6 meses; e Carlos César Moretzsohn Rocha, a 7 anos e 6 meses, em regime semiaberto.
Além das penas privativas de liberdade, o julgamento fixou outras medidas, como o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a inelegibilidade dos réus, a perda do cargo de Marcelo Bormevet e a comunicação ao Superior Tribunal Militar (STM) para análise sobre a indignidade para o oficialato de militares condenados.
No caso dos militares da ativa ou da reserva vinculados às Forças Armadas, a custódia fica sob responsabilidade das próprias unidades militares, e não do sistema prisional comum. Já os condenados que não pertencem às Forças Armadas ficam sob atribuição da Polícia Federal e do sistema prisional civil.
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