Política / Eleições 2026
Gonet cobra ação rigorosa do Ministério Público contra facções, desinformação e violência política nas eleições de 2026
Procurador-geral afirma que fiscalização deve proteger a liberdade do voto e anuncia reforço no monitoramento de candidaturas, abuso de poder e ataques contra mulheres na política
07/04/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O procurador-geral da República e procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, afirmou que o Ministério Público Eleitoral terá atuação “firme e neutra” para impedir a influência de organizações criminosas no processo eleitoral de 2026. A declaração foi feita durante encontro com procuradores regionais eleitorais, em Brasília, voltado à definição das estratégias de fiscalização do pleito em todo o país.
Segundo Gonet, a prioridade é garantir que o eleitor possa formar sua escolha de maneira livre, sem interferências econômicas, psicológicas ou políticas. Ao tratar do avanço de facções sobre a política institucional, ele defendeu vigilância permanente sobre sinais de financiamento ilícito, promoção de candidaturas por grupos criminosos e tentativas de coação do eleitorado.
A reunião reuniu cerca de 30 procuradores e procuradoras eleitorais e abriu uma agenda de dois dias de debates sobre temas centrais da disputa deste ano, entre eles registro de candidatura, fraude à cota de gênero, violência política, desinformação, abuso de poder e prestação de contas. A proposta é alinhar procedimentos e fortalecer a atuação do Ministério Público nas diferentes frentes de controle eleitoral.
Uma das principais preocupações expostas por Paulo Gonet é impedir que facções criminosas influenciem a formação das chapas, o financiamento de campanhas ou a própria decisão do eleitor. De acordo com a PGR, nas últimas eleições municipais o Ministério Público conseguiu barrar na Justiça registros de candidaturas ligadas a grupos criminosos, e, para 2026, foi estruturado um grupo de trabalho para apoiar promotores e procuradores nessa atuação.
Esse grupo deverá auxiliar na coleta de informações estratégicas e manter interlocução com os Gaecos e os núcleos de inteligência do Ministério Público Federal, dos Ministérios Públicos estaduais e do Distrito Federal e Territórios. A ideia é ampliar a capacidade de reação diante de indícios de infiltração do crime organizado no processo eleitoral.
Além do combate às facções, Gonet também apontou como prioridade a contenção da desinformação, especialmente nas redes sociais. Segundo ele, a circulação de conteúdos falsos ou descontextualizados pode comprometer a confiança nas eleições e enfraquecer o ambiente democrático, exigindo resposta institucional rápida e técnica.
Outro eixo destacado no encontro foi o enfrentamento à violência política contra a mulher. O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, defendeu medidas de prevenção e repressão para assegurar maior participação feminina nos espaços de poder e decisão. Hoje, o Ministério Público Eleitoral mantém um grupo de trabalho dedicado ao tema, com acompanhamento de cerca de 300 casos em todo o país.
A legislação eleitoral brasileira passou a tratar a violência política de gênero como crime desde 2021, com penas que podem variar de 1 a 4 anos de prisão. Desde então, cerca de 50 denúncias já foram apresentadas à Justiça Eleitoral para responsabilização de agressores, segundo as informações divulgadas pela Procuradoria-Geral da República.
Com a reunião em Brasília, o Ministério Público Eleitoral inicia a fase de organização operacional para a disputa de 2026, colocando no centro da fiscalização temas que vão da integridade das candidaturas ao combate à criminalidade, passando pela proteção da liberdade do voto e da participação feminina na política.
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