Coluna do Simpi
Prazo apertado: pequenos negócios têm até 30 de janeiro para renegociar dívidas e tentar retorno ao MEI e ao Simples Nacional
Exclusões em massa, renegociação com descontos elevados e cenário econômico exigem atenção redobrada de micro e pequenos empreendedores
27/01/2026
19:00
DA REDAÇÃO
Microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) vivem um momento decisivo neste fim de janeiro. Os prazos para renegociar dívidas, regularizar a situação fiscal e tentar o retorno ao MEI/Simei ou ao Simples Nacional estão se encerrando, e o impacto de ficar fora desses regimes pode ser severo para a sobrevivência do negócio.
Segundo alertas do SIMPI (Sindicato da Micro e Pequena Indústria), muitos empreendedores só percebem a gravidade da exclusão quando os custos mensais disparam e as obrigações fiscais se tornam inviáveis para a realidade do pequeno negócio.
Empreendedores excluídos do MEI/Simei ou do Simples Nacional por débitos inscritos na Dívida Ativa da União têm até 30 de janeiro para tentar regularizar a situação por meio do edital de transação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
A renegociação permite descontos que podem chegar a 70% do valor total da dívida, e, em algumas modalidades, abatimentos de até 100% em juros, multas e encargos legais, dependendo do perfil do débito e da capacidade de pagamento do contribuinte.
O alerta é direto: o tempo é curto e o impacto de permanecer fora do sistema é alto. Um MEI desenquadrado pode passar de uma carga mensal em torno de R$ 86 para custos que ultrapassam R$ 3 mil, dependendo do enquadramento fiscal e da estrutura contábil exigida.
Outro ponto crítico é que muitas notificações de exclusão são feitas via DTE (Domicílio Tributário Eletrônico), ferramenta pouco conhecida por parte dos empreendedores. Em janeiro, estimativas apontam que mais de 900 mil MEIs foram excluídos do Simples, muitos sem sequer perceber a notificação a tempo.
A transação da PGFN oferece modalidades específicas, como:
Negociação por capacidade de pagamento
Débitos de pequeno valor
Dívidas consideradas de difícil recuperação
Débitos garantidos por seguro ou carta fiança
Cada caso exige análise individual. O SIMPI reforça que oferece orientação gratuita para ajudar o empreendedor a escolher o melhor caminho dentro do prazo.
▶ Assista: https://youtu.be/49efz3xIPQQ
Empresas que desejam aderir ou retornar ao Simples Nacional têm até 31 de janeiro para fazer o pedido no Portal do Simples Nacional. O prazo vale tanto para quem nunca optou pelo regime quanto para empresas excluídas que buscam reingresso.
O Simples Nacional unifica tributos e reduz burocracia para MEI, ME e EPP, mas exige:
CNPJ ativo
Inscrição municipal
Inscrição estadual, quando aplicável
Ausência de pendências fiscais com União, estados ou municípios
Após o pedido, o sistema faz uma verificação automática. Caso existam irregularidades, a solicitação fica “em análise” até a regularização. O resultado final está previsto para a segunda quinzena de fevereiro.
Empresas que já estão no Simples e não foram excluídas permanecem automaticamente no regime, sem necessidade de novo pedido.
Entre os principais motivos de exclusão estão:
Débitos tributários
Excesso de faturamento
Falta de documentação
Parcelamentos em atraso
Atividades não permitidas no regime
Com o encerramento de 2025, os dados econômicos consolidados até novembro indicam comportamentos distintos entre os setores:
Indústria: crescimento acumulado de 0,6%
Comércio: retração de 0,3%
Serviços: crescimento de 2,7%
Para a agropecuária, as projeções para 2026 apontam redução do volume produzido, após uma safra mais robusta no período anterior.
Segundo o Relatório Focus, a estimativa de crescimento do PIB em 2026 é de 1,8%, abaixo do desempenho esperado para 2025. Pesam nesse cenário:
Desaceleração do setor de serviços
Nível de investimentos abaixo do ideal
Endividamento elevado das famílias
Incerteza fiscal associada ao ano eleitoral
Historicamente, períodos eleitorais registram aumento de gastos públicos, o que pode estimular a economia. No entanto, esse efeito tende a ser limitado pela manutenção dos juros em patamar elevado e pela restrição da capacidade produtiva, gerando pressão inflacionária.
▶ Assista: https://youtu.be/ijjn2lRFe6c
O ambiente econômico global também influencia diretamente o crédito no Brasil. Um dos pontos de atenção recentes é a divergência pública entre o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a política de juros norte-americana.
Segundo o professor Roberto Dumas (Insper), a tentativa de pressionar por cortes mais agressivos nos juros levanta questionamentos sobre a independência do banco central, fator crucial para a credibilidade das políticas monetárias.
A perda de confiança nas metas de inflação afeta as expectativas racionais dos agentes econômicos, que passam a incorporar margens adicionais nos preços, elevando inflação e impactando a atividade econômica.
Embora o episódio envolva os EUA, os efeitos são indiretos, mas relevantes para o Brasil. A curva de juros americana influencia:
A precificação de ativos financeiros
O custo dos títulos corporativos
As taxas de crédito praticadas no mercado interno
▶ Assista: https://youtu.be/icN3IpMuYEk
O fechamento de janeiro impõe decisões rápidas e estratégicas. Renegociar dívidas, regularizar a situação fiscal e manter-se no Simples ou no MEI pode ser a diferença entre continuidade e inviabilidade do negócio em 2026.
O recado é claro: o prazo está no limite, mas ainda há caminhos possíveis — e informação, orientação técnica e ação imediata fazem toda a diferença.
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