Política / Justiça
Lula demonstra irritação com Dias Toffoli e admite a aliados que ministro deveria deixar o STF
Presidente critica condução de inquérito do Banco Master, aponta desgaste institucional e evita defender relator diante de novas revelações
26/01/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem manifestado irritação com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à frente do inquérito que apura o caso do Banco Master. Segundo relatos de auxiliares, o chefe do Executivo acompanha de perto o andamento do processo e as repercussões institucionais, e não pretende sair em defesa do magistrado diante das críticas.
Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros e chegou a afirmar, em tom de desabafo, que Toffoli deveria renunciar ao mandato ou se aposentar, conforme apuração. Apesar disso, interlocutores avaliam que não há intenção concreta de o presidente propor formalmente o afastamento do ministro do tribunal ou a retirada da relatoria do caso.
O incômodo do presidente se intensificou após notícias que expuseram vínculos de familiares do ministro com fundos ligados à teia do Banco Master, além do regime de sigilo elevado imposto ao inquérito. Aliados relatam que Lula teme que a investigação seja abafada, o que ampliaria o desgaste institucional do STF.
A auxiliares, o presidente tem reiterado a necessidade de apurar fraudes “sem poupar poderosos”, para evitar críticas de interferência política. Em declaração recente, Lula afirmou: “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
No entorno do Planalto, há a percepção de que o inquérito pode alcançar políticos da oposição e deve avançar mesmo com possíveis reflexos em aliados do governo. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém relações com lideranças do centrão e também com nomes ligados ao PT na Bahia. O empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, é apontado como próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado.
Desde o fim de 2025, Lula monitora a evolução do caso. O presidente teria ficado intrigado com a decisão de impor sigilo elevado a um pedido da defesa de Vorcaro para levar as investigações ao STF, tomada uma semana antes de vir a público a informação de que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha contrato mensal de R$ 3,6 milhões com interesses ligados ao banco.
Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo relatos, o presidente defendeu que tudo o que o governo desvendou fosse levado às últimas consequências e buscou entender a disposição do tribunal diante do sigilo. Toffoli teria assegurado que nada seria abafado. Na ocasião, Lula afirmou que a relatoria seria uma oportunidade para o ministro “fazer a coisa certa e resgatar a biografia”.
Após novas revelações, Toffoli passou a enfrentar maior pressão. As críticas incluem o sigilo rigoroso, uma viagem de jatinho com advogado ligado ao caso e negócios envolvendo familiares com fundo associado ao Master. A interlocutores, o ministro tem dito que não vê elementos que comprometam sua imparcialidade e descarta abdicar da relatoria. No STF, o reconhecimento de impedimento ou suspeição ocorre, historicamente, por autodeclaração.
Responsável pela indicação de Toffoli ao STF, Lula acumula frustrações com o ex-advogado do PT. Entre os episódios citados, está a decisão que impediu o presidente de comparecer ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva (Vavá), em 2019, quando Lula estava preso em Curitiba. O pedido de desculpas do ministro ocorreu apenas em dezembro de 2022, após a eleição presidencial.
O episódio do Banco Master, contudo, elevou o tom das críticas e acentuou o desconforto do presidente com a condução do inquérito no Supremo.
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