Economia / Empreendedorismo
31% das indústrias recorrem a crédito de longo prazo para bancar capital de giro
Dados da CNI indicam distorção no financiamento empresarial e revelam impacto dos juros altos e do IOF no setor produtivo
25/01/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela uma distorção preocupante no acesso ao crédito pelas empresas industriais brasileiras. Segundo a Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, 31% das indústrias que buscaram financiamentos de longo prazo — acima de cinco anos — utilizaram os recursos para capital de giro, como pagamento de folha salarial e impostos, e não para investimentos produtivos.
O dado se refere ao período entre fevereiro e julho do ano passado e indica que parte relevante do setor industrial está priorizando a sobrevivência financeira, diante de juros elevados, em detrimento de projetos voltados à expansão e ao crescimento de longo prazo.
De acordo com a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, o movimento evidencia dificuldades estruturais no crédito de curto prazo.
“O fato de boa parte das empresas industriais tomarem crédito de longo prazo para capital de giro mostra que o crédito de curto prazo, provavelmente, está muito caro e que as demais condições, como a exigência de garantias, estão muito desfavoráveis”, avalia.
Entre as empresas que recorreram a crédito de longo prazo, o capital de giro apareceu como a principal finalidade (31%), seguido por investimento em máquinas e equipamentos (30%) e investimento em instalações (10%).
Já nas operações de curto e médio prazo, de até cinco anos, o capital de giro teve peso ainda maior, sendo apontado por 59% das empresas como principal destino do crédito. Na sequência aparecem máquinas e equipamentos (15%) e instalações (5%).
A sondagem também analisou os efeitos do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a capacidade de investimento do setor industrial. O resultado mostra que a alta do tributo prejudicou quase um terço das empresas.
Segundo o levantamento:
16% das empresas desistiram de contratar ou renovar crédito após o aumento do IOF;
16% reduziram o valor solicitado;
33% mantiveram a decisão de contratar ou renovar crédito, mesmo com a elevação do imposto.
Os empresários ouvidos pela CNI destacaram a necessidade de maior atuação do governo e das instituições financeiras para tornar o financiamento mais acessível. Quando questionados sobre as melhores alternativas para enfrentar os entraves no crédito de curto e médio prazo, 49% apontaram a redução de custos tributários e administrativos como principal medida.
No caso do crédito de longo prazo, esse percentual foi de 39%, reforçando a percepção de que o peso dos tributos e da burocracia continua sendo um dos principais obstáculos ao investimento produtivo no país.
Os dados indicam que, enquanto as condições de crédito não melhorarem, parte significativa da indústria seguirá utilizando instrumentos financeiros pensados para crescimento como solução emergencial para manter as atividades em funcionamento.
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